terça-feira, 15 de abril de 2008

Teaching in Bremen

Before people start asking me for money, I must say that despite all the good luck and happiness, I haven't won the lottery yet. What I did win, though, was a text competition at the Macmillan internet site onestopenglish. The link is here for those who have to see to believe. For those too lazy to go through all this trouble, that´s the text below. And for those who´ll certainly be asking, no, it wasn't a money prize!!
http://www.onestopenglish.com/section.asp?theme=mag&catid=
58256&docid=156042

Germany: A letter from Bremen
Cristiane Oliveira shares her experiences of teaching in this small town in Germany.
Teaching in Germany
by Cristiane Oliveira
After ten years working as an English teacher in Brazil (where I am from), life took me to Germany where I have spent the last 5 years trying to get by in a cute little city called Bremen. Actually Bremen is not even that little by German standards (about 550,000 inhabitants), but for someone who was born and spent most of her life in a city with almost three million inhabitants, it is quite a change.
Teaching in Germany, like teaching everywhere else, has its high and lows. Although I had no idea where I was going to work or even where I should apply for a job, I was absolutely self-confident when I got here. I am an experienced teacher, with plenty of qualifications and always willing to learn more. Then I had my first surprise. Nobody had heard of COTE, CELTA or DELTA and those who had, didn`t seem to think much of these qualifications. All that mattered was whether or not you were an English native speaker. This situation has been slowly changing, as with the EU and the Common European Framework of Reference, language teaching institutions gradually began to realize that learning foreign languages is indispensable not only in Europe, but in the whole world and that the teacher must know what he or she is doing in order to really be able to help students in their learning process.
So, there I was 5 years ago, trying to find a job and facing the difficulty of making people believe that, although I wasn’t a native speaker, I was highly qualified for the task of teaching. Soon enough I realized that if I wanted to work here, it would have to be as a freelancer and that finding a job wouldn’t be very easy. When I was almost giving up, I came across a school where the coordinator was a very nice lady from Brighton, who happened to have had gone through lots of trouble herself when she first got here and she didn’t hesitate in offering me some groups. So, I started working freelance at that school and not longer after that, I started to get very positive feedback from the students. One of the courses I taught was for young children aged 6 and 7 and as they went home and told their families they were having a lot of fun in these classes, some of their parents came to meet me. They raved about my work at the children’s school and so some parents decided to put together a course for children from the 1st and 2nd grades. These children hadn’t started having English classes as part of their school curriculum yet. The parents wanted to take advantage of the fact that the children seemed to be willing to learn English. Normally they would only start having English lessons at school in the 3rd grade.
I loved the idea and wrote a proposal in which I suggested a kind of play-group where children would simply start to get in contact with the language in a playful way. The day we went to the school and presented the project to the other English teachers and the principal, I had a very strange experience. They all were against the project for two main reasons. First, they were very concerned about how disruptive the children would be in class in the 3rd grade, once they realized that they already knew some of the material being taught. And second, because they thought a non-native teacher would "spoil" the children’s accent for good.
I was speechless. Aren’t we supposed to teach the students and not our lesson plans, meaning that we should always try to adapt our lessons to the students’ needs and not the other way around? This way, we could always find a way of teaching the same material, if necessary, without the lesson being repetitive and boring, thus creating disruption in class. Also, isn’t it very strange to be concerned with accents, in a world where globalization makes sure that English is used everywhere and not only in places where it is the original language? Much to the dissatisfaction of those teachers, the course happened, it lasted two years and it was a great success.
But apart from this strange experience, I have also had some very pleasant moments teaching in Germany. Adult students here are very hard working and take their learning very seriously. They will happily try out the suggestions you give and as they notice their command of the language improving, they are very grateful for our contribution as teachers. I don’t think they used to have very communicative lessons in the past so, at the beginning of an adult course there is always a bit of unease. They don’t know if you mean it seriously when you ask them to stand up, move around and find a pair, for example. But as soon as they notice that it is indeed possible to have fun and learn at the same time, they became very enthusiastic learners. Seeing these adults relaxing, smiling and having fun with their English learning process is definitely making my teaching here worthwhile.

domingo, 30 de março de 2008

Carta à Salvador

Bremen, 29 de Março de 2008

Querida Salvador,


Hoje faz quase três meses que eu fui embora e desde o dia em que saí daí, já senti saudades de você. Sei que nos meus últimos dias por aí nao fui exatamente a melhor das companhias; reclamei muito, só pensava em Bremen e devo com certeza ter sido injusta com você em muitos momentos.

Por isso resolvi te escrever. Pra te falar que apesar dos meus humores normais de ser humano, que apesar de parecer sempre insatisfeita quando estou com você, reclamar de suas ruas, de seus prefeitos, de seus pivetes, de seu estranhamente adorado Pelourinho (alguma coisa na minha alma negra ainda se contorce de dor toda vez que passo por ali) eu te amo muito e sinto muito sua falta.

Vivi muitos anos de minha vida com você e depois que desejei ver outras cidades, conhecer outras culturas, pisar outros continentes, descobri o quanto te amo de verdade. Toda vez que volto, me sinto completamente acolhida, bem recebida, totalmente envolvida no seu calor que não sei como, eu adoro. Depois de 31 anos de vida, ainda me emociono muitas vezes quando passo pela igreja de Santana no Rio Vermelho em direção a Ondina. Aquele mar, e o céu azulíssimo faz qualquer pessoa passar a acreditar que algo maravilhoso e extraordinário existe neste mundo. Adoro a descida da Contorno, com seu mar imenso, seus prédios antigos do outro lado, seus barulhos indicando que tem vida, muita vida ali.

Você é minha cidade mãe, que me ensinou a falar assim, quase cantando e que tem essa gente linda que trabalha feito cão, mas que sempre, sempre tem um tempinho pros amigos, pra um cineminha, uma prainha, uma cervejinha. E onde tudo é assim mesmo carinhosinho, no diminutivo. Te amo minha cidade, você é mesmo minha salvadora. E apesar de estar me entendendo cada vez melhor com Bremen, quero que você saiba que ninguém me acolhe, recebe e entende como você. Com você sou verdadeiramente quem eu sou: Cris Oliveira, professora de inglês, mulher de muitos amigos, meio maluca, amante de acarajé e cerveja gelada, frequentadora de Dinha, sofredora do Baêa sem "h" e orgulhosa de ser sua filha.


P.S. Feliz aniversário.


quarta-feira, 26 de março de 2008

Feliz, feliz...

Ontem recebi a notícia de que tinha me saído muito bem no TestDaf. Hoje recebi a confirmacao de minha matrícula na universidade. Reconheceram um semestre automaticamente e ainda tem a possibilidade de ter outras matérias reconhecidas!!! Tá parecendo que chegou a minha vez: Vou jogar na Loto amanha...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Primavera


A primavera em Bremen comecou oficialmente dia 21. As primeiras flores aparecem muito devagarzinho mesmo... Devem estar, assim como nós, meio sem vontade de sair nesse vento frio, nesse tempo chuvoso, as vezes com neve e chuva de granizo. Todos por aqui reclamam que o inverno nao é frio o bastante e agora na primavera, todos gostariam de ver o sol e flores, muitas flores.
Ainda me lembro da primeira vez em que de fato vi a primavera aqui. Depois de ter vivido nesta cidade por quase quatro anos, estava de saco cheio da Alemanha. De malas prontas, só pensava mesmo em voltar a minha terra, onde primavera nem existe. E mesmo assim, me vi conversando com um amigo alemao, que admira todas as estacoes do ano com igual loucura, e em algum ponto da conversa ele falou o seguinte:
- Você já viu como a primavera está chegando este ano? Nunca vi nada igual... Olhe pra essas cerejeiras como estao floridas... que tons de lilás... lilás é uma cor da qual as pessoas quase nunca falam. A última vez que vi uma cerejeira florida assim foi a exatamente um ano atrás.
Meu amigo estava tao absorvido em seus pensamentos, admirando e falando das plantas e sua cores, que nao pude deixar de colorir meu olhar pra esta cidade. E foi de fato a primeira vez que percebi, que por mais que estivesse louca pra entrar naquele aviao que me levaria de volta ao meu mundo, iria sentir muita falta de Bremen.
Ah, a primavera... eu aprendi muito sobre ela ainda muito menina, na escola. A gente sempre aprendia sobre todas as estacoes do ano. A forma totalmente fora de contexto, importada de países muito mais frios que o meu, na qual meus textos didáticos a ilustravam, presenteávam-na com uma aura etérea, mágica, colorida, irreal para mim. Depois de vir parar aqui, aprendi o que aquilo tudo significava. 

Aquela conversa com meu amigo alemao, que cresceu vivendo a primavera a cada ano, mas que ainda assim a reconhecia e admirava, me fez sentir um pouco fútil, meio blasé com as belezas do mundo e foi impossível evitar a tao conhecida culpa: como foi que eu consegui estar aqui, por quase quatro anos, e nunca dar o devido valor a cada flor que desabrochava depois de um longo inverno. Como foi que consegui simplesmente continuar meu caminho automático pro trabalho a cada dia, sem perceber que árvores completamente secas por causa do terrível inverno, de repente adquiriam uma penugem verde clara que se tornava cada vez mais densa, até que um dia um flor, com o mais contrastante rosa, vermelho, amarelo ou lilás aparecesse nelas.
A primavera em Bremen é algo muito mágico. Ela é muito esperada por todos, por que com ela vem nao só as cores, mas também, os dias nos quais apesar do frio, o sol brilha intensamente e por muito mais tempo. A primavera convida a um passeio no parque, a um sorvete com a família, as brincadeiras na rua. Os dias se tornam mais longos e as pessoas sorriem umas para as outras sem razao. Este ano a primavera parece nao querer chegar em Bremen. Isso aumenta a ansiedade geral. E pro alemao, tao acostumado a ter tudo certinho e planejado de acordo com um calendário rigoroso, vem uma inquietacao com a qual é difícil de lidar. A primavera tem de estar aqui a tempo, na hora marcada, como de costume. Que se dane o efeito estufa e todas as catástrofes ambientais!!! Deve ser por isso, que hoje pela manha, percebi vários carros da prefeitura carregados de flores de diversos tipos e cores circulando pelas ruas. E mais tarde, essas mesmas flores estavam plantadas, da forma mais ordeira possível, pelos diversos canteiros da cidade.

quinta-feira, 13 de março de 2008

A Arte da Grosseria

Certos tipos de comportamento sao inaceitáveis e a depender dos ânimos dos envolvidos podem até levar a confrontacao física. Todo mundo concorda que nunca se deve colocar a mae de ninguém no meio se a intencao nao for partir pra briga. No entanto, salvo esses graves extremos envolvendo família, religiao e time de futebol, como saber qual o limite do ouvir calado e do partir pro ataque com mae e tudo? A resposta pra isso é outra vez muito cultural.

Aos poucos venho percebendo que ser grosso tem hora, lugar e situacao certa e que essas variáveis sao bem diferentes no Brasil e na Alemanha. Pra falar a verdade, acho que variam inclusive dentro do próprio território nacional. Aqui já me aconteceu de deliberadamente ser grossa com alguém, que pareceu nao se ofender nem um pouquinho e outras situacoes nas quais eu pensei "oops, nao devia ter dito isso. Agora o bicho vai pegar" e no final nao teve nada.Mas ao mesmo tempo já achei que estava falando a coisa mais normal do mundo e do outro nao gostar muito do que ouviu. Essas coisas muitas vezes sao pessoais, mas aqui em Bremen podem ter certeza, grosseria é uma arte.

Me lembro bem do dia em que, durante uma aula, comecamos a falar da biblioteca central da cidade que na época tinha sido reformada e estava lindíssima. Alguns alunos concordaram e um determinado rapaz disse nunca ter colocado os pés na tal biblioteca. Imediatamente, uma colega de classe revidou: "Conte-me uma novidade. Quem nao sabe que você é mesmo analfabeto?". Esses alunos se conheciam há nao mais de que um mês, entao eu fiquei totalmente tensa, me coloquei em guarda, pronta pra agir e tentar graciosamente por fim a discussao, que na minha cabeca, já era mais do que certo que iria acontecer. No entanto, o rapaz deu uma olhada feia para a tal colega e a situacao acabou aí. O mais interessante é que logo depois, numa atividade em pares, eles trabalharam juntos sem problema e concluíram a tarefa sem maiores conflitos ao ponto de fazerem "high five" no final quando constataram que acertaram a maior parte do exercício.

Esses alemaes me confundem. Acho que o grande problema aqui é mesmo o grito. Nao se deve falar alto, porque isso sim, assusta. Se você gritar elogios a alguém, a pessoa provavelmente nao saberá o que fazer e vai remoer aquilo por meses. No entanto um bom insulto num tom de voz agradável tem seu lugar. É bem ouvido, processado, avaliado e superado rapidamente. Acho que depois de tantas guerras o subconsciente coletivo por aqui simplesmente endureceu. Se preparou pra aguentar tudo, ser ofendido e humilhado. Desde que, é claro em decibéis aceitáveis.

P.S No livro “How to be a Kraut” do jornalista inglês Roger Boyes, ele fala também sobre isso. Segundo Boyes, Berlim nao só é a capital da Alemanha, como também é a capital européia da grosseria. Ele aconselha inclusive evitar demonstracoes de fraqueza, como dizer "Boa tarde", "Por favor" e etc, quando vocês forem a essa cidade. O livro é tipo "Um Brasileiro em Berlim" de Joao Ubaldo Ribeiro, ou seja, um conjunto de crônicas sobre a vida aqui na Alemanha porém sob o ponto de vista de um inglês e é hilário. Se tiverem a oportunidade, leiam.

sábado, 8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

Uma de minhas cantoras favoritas disse tudo:


Pagu
Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão

Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda,
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone,
Sou mais macho que muito homem

Sou rainha do meu tanque, sou pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem,
Minha mãe é Maria-ninguém

Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda,
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone,
Sou mais macho que muito homem

 Rita Lee 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Tudo igual, porém diferente

Semana passada comecaram as aulas aqui em Bremen. Pra mim isso é sempre um mega evento. Mesmo com pouco mais de uma década de ensino, eu ainda tenho calafrios e noites mal dormidas dias antes do início de um novo semestre escolar. Voces podem imaginar meu estado semana passada, quando o início do semestre representava ao mesmo tempo nao só os habituais livros novos, alunos novos, níveis novos, mas também outras nacionalidades e seus nomes muitas vezes complicados de pronunciar, nova escola, nova cidade, novo país, nova cultura, nova língua. Pra minha sorte, comecei com pé direito. Minhas turmas sao extremamente legais e motivadas. Mas as comparacoes Brasil X Alemanha sao invitáveis.

Ensinar em Bremen ou em Salvador pode ser tao parecido a ponto de ser decepcionante. Uma pessoa que voa milhas de distância para ter uma experiência profissional diferente pode se frustrar ao perceber que aluno alemao iniciante erra exatamente as mesmas coisas que aluno brasileiro. É um tal de "he go", "she do", "it have" que as vezes dá vontade de arrancar os cabelos. Ponto para os linguistas que dizem que essa é "the bitchiest of all forms to acquire". Eu usei aqui o termo técnico para a satisfacao de meus colegas professores de inglês.

As diferencas sao sutis, porém marcantes. A primeríssima delas é ter de educadamente perguntar a todos no início da aula se o tratamento pode ser coloquial. Basicamente deixar bem claro, ja desde o início, que você prefere ser tratada por você e que você espera poder tratá-los da mesma forma, sem a palhacada desnecessária de Senhor ou Senhora que teoricamente deveria denotar respeito, mas que hoje em dia me parece sem sentido depois de já ter visto muita gente ser xingada logo depois de ter sido respeitosamente chamado(a) assim.

A segunda diferenca é o número de nacionalidades diferentes em cada turma. Quanto mais avancado o grupo, mais interessante é a aula, pela possibilidade de poder trocar muitas experiências e pontos de vista diferentes que decorrem das diversas culturas presentes na sala. Toda vez que aparecia alguma pergunta de contraste de culturas nas salas de aula em Salvador, era sempre meio artificial. Claro, sempre tinha um aluno ou outro que já tinha vivido ou viajado pelo exterior e podia também contribuir com a discussao, mas no geral era bem estranho comparar acarajé com pao de queijo ou baiao com xaxado.

Aluno alemao no geral faz dever de casa, gosta de anotar o que o professor escreve no quadro, ouve atentamente cada palavra do professor e traz o livro no primeiro dia de aula. Por outro lado, quando o professor leva uma música pra aula, tem de ir preparado pra dar uma aula extra sobre "skills", "listening for specific purposes" e etc senao Heidi, Ulrike, Hans e co. vao querer saber exatamente qual o significado do "Oh Oh Oh" na linha 2 da terceira estrofe. E cantar, nem pensar!!!

Nao sei exatamente o que acontece nas aulas de inglês nas escolas por aqui , mas a maioria dos adultos parece ser bem traumatizada com língua estrangeira de forma geral. Se falam alguma língua com fluência, sempre dizem que nao falam muito bem e muitos se recusam mesmo a falar. Uma vez um aluno me perguntou se sua pronúncia me irritava. Segundo ele sua antiga professora do ginásio dizia sempre na sala que a pronúncia de todos eles era de doer os ouvidos. Outro aluno uma vez me mostrou seu dever de casa: uma lista de aproximadamente 50 palavras que ele deveria decorar com as respectivas traducoes para um teste que seria feito em duas semanas. Assim fica fácil entender os traumas e dá também pra entender porque os alunos que vem para cursos de língua chegam meio amedrontados, sem saber ao certo o que fazer quando você manda levantar, achar um par, falar um com o outro.

Depois que eles percebem os resultados e constatam que estao entendendo mais e se expressando melhor, ficam eternamente agradecidos, colocam o professor no mais alto pedestal e dao batidinhas na mesa no final da aula. Sim, essa foi mais uma novidade que aprendi ensinando aqui em Bremen: Se o aluno gostou da sua aula, no final ele dá umas batidinhas na mesa, assim como quem bate na porta pra entrar na casa de alguém. É sempre muito gratificante apesar do susto que se toma a primeira vez que isso acontece e você está desavisado.

Entao é isso aí. Quem quiser se aventurar a ensinar aqui, é uma experiência que vale a pena e eu recomendo. Só faca questao de vir preparado com muita paciência e amor pros traumatizados, um vocabulário vastíssimo e atualíssimo para os super detalhistas, memória fresca para lembrar que na sua turma tem Kirsten e Kestin, Helge e Heinke, Hans-Peter e Karl-Peter e vocês estarao bem. Enfim, tudo igualzinho como no Brasil, só que um pouquinho diferente.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

De professora a atacante

Aqui estou na terra dos Saltimbancos a pouco mais de um mês e devo confessar que estou muito feliz! Pra que ninguém estranhe, deixa eu explicar: ainda é meio difícil ser feliz aqui nesse lugar cheio de palavras enormes, de gente que acredita que muito banho estraga a pele e que brasileiro nao pode ser professor de inglês. Mas estou conseguindo e muito facilmente, apesar das experiências estranhas que insistem em acontecer aqui em Bremen.

Uma delas por exemplo, aconteceu logo depois de minha chegada. Optei por voltar a universidade e pra comecar o curso tenho de provar um certo nível de proficiência em alemao, através de um exame de língua. No biggie, na minha profissao a gente se acostuma com essas coisas, entao me matriculei num curso preparatório e tenho estudado bastante. Estou bem compromissada com isso, caí de cabeca nos estudos. Somos 8 no curso preparatório. Todos querendo um diploma alemao pra ter melhores chances no mercado de trabalho aqui, todos acadêmicos ou aspirantes a tal, inteligentes, bem vividos, mente abertas, internacionais. Assim se imagina, né? Mas foi aí mesmo neste curso preparatório onde eu vivi o primeiro momento estranho de Bremen 2008.

Numa conversa com uma colega de curso, ela me pergunta de onde eu sou, o que faco, porque vim parar em Bremen. Conversa que mais parece um interrogatório, mas essa é small talk alema. Mesmo minha colega sendo assim como eu, estrangeira aqui, tem certas coisas do local que se aprende rapidinho. Até aí tudo bem. Depois ela me pede licenca pra contar uma piadinha que aparentemente ela ouve o tempo todo por aqui. Eu me arrependo de ter dado a tal licenca e ela prossegue dizendo: "Por aqui existe um ditado que diz que todo mundo que vem do Caribe ou da América Latina sempre se diz ou engenheiro ou professor."Vocês podem me dizer o que vocês responderiam? Porque eu nao soube o que dizer. Minha resposta foi apenas o básico sorriso amarelo, que nunca falha nesses momentos e nenhum comentário.

Fui pra casa remoendo essa estória, me sentindo injusticada como pessoa, como profissional e como latina!!! Alguns acham que brasileiro, principalmente bem sucedido, no exterior, sempre provoca um certo ressentimento. Brasileiro afinal, nasceu pra jogar futebol e sambar. Eu que nunca fui passista de escola de samba e nao sei nem de que lado fica o gol, insisto em dizer que sou professora quando me perguntam minha profissao. Se a teoria do ressentimento estiver certa, pelo menos isso esclarece o motivo pelo qual as pessoas sempre me interrogam depois de ouvirem isso. Sério mesmo. As cabecas alemaes acostumadas com Goethe e Nietzsche parecem nao entender como uma brasileira aprendeu inglês no Brasil, sem nunca ter morado em nenhum país de língua inglesa, feito universidade e comecado a ensinar inglês. Eu cansei de tentar explicar. Devo comecar a dizer que sou jogadora de futebol?

domingo, 4 de novembro de 2007

Estilhaço

As estrelas no céu
São como estilhaços de almas
Que necessitam de espaço ilimitado para brilhar.


domingo, 23 de setembro de 2007

Depois de ouvir "Construção" de Chico num estado de espírito meio sombrio...

Vi meu corpo finalmente como um lugar passageiro
O cimento frio atraía - me cada vez mais
Na rua ninguém notava meu corpo cada vez mais leve
No ar os anjos assistiam, com atenção, a minha última tentativa de vida
Em mim, e por mim rapidos fluxos de energia passavam
Vezes claros, outras escuro como o carvão que um dia fora matéria clara, como eu matéria viva.

Atrás dos óculos a curiosidade de alguns se revelava
Atrás dos passos, no entanto, a poeira se levantava
Em volta muitos olhares curiosos esperavam minha reação, meu retorno.
Ao longe novamente os anjos sorrindo, mãos estendidas para mim
Sem luta, deixei meu corpo descansar e minha alma se dirigir aos anjos.