quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cuidado com a sinalização

Alemão é um povo que leva sinalização muito à sério. As pessoas aqui não só leem tudo quanto é placa, elas tambem fazem questão de obedecê-las cegamente. Uma vez uns estudantes de sociologia aqui em Bremen fizeram um experimento interessante que deixou isso bem claro. Durante um dia interinho, cada uma das portas da entrada principal da maior cafeteria da universidade exibiu um letreiro diferente: "Entrada para Estudantes da União Européia" e "Entrada para Estudantes dos demais Países".

O interessante foi notar que as pessoas paravam em frente, viam o aviso, alguns ficavam meio confusos mas acabavam escolhendo uma porta ou outra. Depois de um dia inteirinho disso, onde centenas de estudantes circulam por dia, apenas uma pessoa perguntou o porque da divis
ão.

A Alemanha é um dos países com maior quantidade de placas de trânsito por metro quadrado. Chega ao ponto de atrapalhar ao invés de ajudar e por isso o Departamento Nacional de Trânsito está planejando a elimina
ção de algumas delas. Só espero que não eliminem essa aí que é a minha favorita.


Não significa nem que a pessoa é obrigada a ter uma idéia, como minha amiga Silvia imaginou e nem que a pessoa é obrigada a se espantar com alguma coisa, como eu imaginava à princípio. Significa apenas que a calçada não está totalmente uniforme e se portanto você tropeçar, o pneu da sua bicicleta furar e etc, nem adianta pedir indenização da prefeitura que não vai colar. Afinal de contas estava sinalizado e você ignorou a placa e passou por lá porque quis. Já imaginou se Salvador seguisse a mesma moda?

Os sinais abaixo também estão por toda parte dentro dos bondes e ônibus.
Notem o segundo da esquerda pra direita. Trata-se de de um desenho de um cone com batata-frita e um copo de bebida, significando que é proíbido trazer comida e bebida para dentro do transporte público. Uma amiga minha brasileira muito cara-de-pau, dessas que perdem o amigo, mas não perdem a piada, foi abordada dentro de um bonde uma vez, porque tinha entrado com um pratinho descartável com batata-frita. O senhor chegou pra ela e disse "Ei mocinha, não se deve entrar no bonde com comida!" ao que ela prontamente respondeu " Não se pode entrar com batata-frita em um cone. Mas eu estou trazendo a minha em um prato. São duas coisas completamente diferentes. O senhor não está vendo a placa ali, não?" Pasmem que o comentário de minha amiga, que tinha obviamente sido uma piada, foi aceito imediatamente pelo tal senhor, que passou uns belos minutos contemplando o sinal. Provavelmente entrou em crise por tê-lo interpretado mal.

Essa coisa com sinais, murais e placas aqui é impressionante. Parece meio bitolado, mas na verdade é um grande sinal de adestramento que funciona bem. A vida é muito simples quando se tem placas o tempo todo indicando o que fazer e pra onde ir. Eu me adaptei rapidinho! Que não me venham dizer o que eu posso ou não posso fazer. Quero primeiro ver a placa!!! Tenho estado muito chateada com a empresa de transporte urbano aqui de Bremen, que anda fazendo uns ajustes nos painéis eletrônicos, que informam em quantos minutos o próximo ônibus ou bonde vai chegar, de forma que não se pode mais confiar neles. Um absurdo!!! Aí uma foto do tal painel.

Antigamente a coisa mais rara de se ver aqui era gente levantando pra dar lugar a velhinho, criança e mulher grávida. Mas de repente, comecei a perceber esse gesto de delicadeza ficando cada vez mais frequente. Comecei a me questionar o que poderia ter mudado quando notei esse sinal por toda parte dentro dos ônibus e bondes:
Traduzindo é mais ou menos assim: "Muito obrigado(a), que gentileza da sua parte". "Ah, por pavor, o prazer é meu". E as letrinhas pequenas embaixo: Por favor, ofereça seu lugar em caso de necessidade.
Será que esse sinal sozinho é responsável por uma mudança de atitude geral? Se for só isso mesmo, já imaginou o efeito que surgiria se a cidade inteira tivesse placas onde se pudesse ler "Sorria também no inverno", "Aprecie as oportunidades que você tem. Acredite: A vida é bem mais dura em outras partes do planeta." , "Desenvolva seu senso de humor" ou um simples "Pare de reclamar e seja feliz"?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Santa ignorância

Uma das coisas que eu mais admirava nos alemães quando vim morar aqui pela primeira vez era a conciência política deles. Isto e o fato deles sempre serem super bem informados sobre tudo o que acontece no mundo. Qualquer assunto poderia virar uma grande discussão político sócio econômica. Claro que tinha horas que eu achava eles um bando de chatos sem senso de humor mesmo. Não tem quem aguente filosofar o tempo todo. Mas muitas vezes eu ficava mesmo era admirada de ver como todo mundo era bem informado, inclusive sobre coisas do Brasil. Perdi a conta das vezes em que entrei muda e saí calada das conversas simplesmente para evitar falar besteira.

À medida que fui conhecendo mais pessoas e que meus conhecimentos de alemão foram melhorando, comecei a perceber que as coisas não eram assim tão maravilhosas como eu imaginava e que na verdade ignorância e desinformação tem tanto espaço aqui quanto em qualquer lugar do mundo. A única diferença é que os ignorantes alemães tem uma forma tão sutil de ocultar esse fato que o olhar não treinado os confunde com os bem informados da vida. Infelizmente eu demorei de aprender as regras desse joguinho de esconde-esconde da ignorância.

A universidade é um dos melhores ambientes para se aprender como essa brincadeira funciona. O povo consegue ficar sentado por 90 minutos, imóvel, fazendo caras de quem está entendendo e ouvindo o professor palestrar sobre um assunto que chega a ser misterioso de tão complexo, sem fazer nenhuma pergunta. Quando algum novato desavisado que ainda não sabe brincar, morde a isca e confessa que não entendeu, vira imediatamente o foco da atenção de todos. São diversos os tipos de olhares, desde os de "coitadinho" até os de "nossa, quanta burrice". No entanto, quanto o professor agradecido de ver que nem todo mundo está dormindo, começa a responder a pergunta do otário que se expôs na inocência, percebe-se que canetas de repente ganham vida e começam a encher os cadernos com conceitos finalmemente exclarecidos para todos. E com isso os alemães vão aprendendo sem nunca terem de admitir que não sabiam.

Eu já fiz muito o papel da desavisada que levanta a mão e admite que não está entendendo logo de primeira. Mas eu percebi que aqui, depois de fazer uma coisa dessas nunca mais se é levado a sério. O sujeito que faz isso fica estigmatizado como burrão para sempre. Como não estou interessada em competir saber com ninguém, estou tranquila com meu rótulo. Até mesmo porque acho que existe um charme muito especial em ser ignorante assumido. Nós perguntamos mil vezes pra conseguir entender direito e com isso aprendemos. Não existe nada mais chato do que gente que não pergunta, mas misteriosamente sabe de tudo, tem opinião pra tudo.

No entanto é difícil combinar minha atitude "não estou nem aí e vou perguntar mesmo" com meu desejo de ser levada à sério principalmente na minha profissão. Os alunos ficam horrorizados quando o professor assume que não sabe determinada coisa e daí perdem a confiança em todo o resto do seus ensinamentos. Um vez tinha de fazer uma apresentação na universidade e o assunto era tão cavernoso que eu pensei em me dar por vencida e dizer ao professor que não me sentia segura para apresentar no dia programado e pedir um prazo maior para me preparar. Uma amiga alemã disse: "Você é louca? Não faça isso!!! Apresente qualquer coisa, qualquer besteira que você tenha entendido, mas apresente!!". Eu perguntei: "Mas e se eu não tiver entendido NADA?" a resposta: "Não importa, dê um jeito e apresente senão você vai se queimar feio." Fazer o quê? Me apresentei, né? Mas deveria ter gravado para sempre me lembrar de quão patético o ser humano pode ser.

Moral da estória: Só é possível filosofar em alemão. Mas felizmente é possível dizer que "só sei que nada sei", em grego. E em português também.

domingo, 24 de maio de 2009

Mas que beleza...

Quinta-feira passada foi a final de Germany's Next Top Model. Nao vou entrar em detalhes sobre esse tipo de programa. O fato é que eu estava assistindo por opcao mesmo e quem nunca assitiu nenhum programa alienante, sem a desculpa de que "estava mudando de canal e me deparei com isto ou aquilo" que atire a primeira pedra.

Enfim, as duas finalistas eram lindíssimas e completamente diferentes na aparência. Mandy Bork, a rainha da passarela, com longos cabelos loiríssimos, olhos azuis brilhantes e pele clara como sorvete de baunilha e Sara Nuru com suas madeixas igualmente longas e abundantes, porém escuras como a noite, com um sorriso meigo desses de covinha em cada lado do rosto e de pele cor de chocolate ao leite. Tratando-se de um concurso pra determinar a mulher que sairia na capa de uma das maiores revistas femininas da Alemanha, vocês podem imaginar quem foi escolhida vencedora. Sara, é claro!

Esse resultado colocou meus parafusos pra pensar em relacao à beleza e aos muitos caminhos dolorosos que nós seres humanos percorremos em busca de aceitacao e felicidade. Passei minha adolescência inteira lutando pra ser considerada bonita em uma cidade onde apesar da maioria ser afro-descendente, o padrao de beleza sempre foi meio europeu. Naquela época, constatei com tristeza que pra ser considerada bela tinha de no mínimo ter cabelo liso, o que me custou fortunas em tratamentos de cabelo. No entanto, um dia cheguei num ponto onde pensei: Chega de alisabel! e dei um basta naquela loucura. Quem quisesse me achar feia que achasse. Tinha valores mais importantes pra dar atencao. E essa mudanca de atitude acabou colocando muitas pessoas nao fúteis em meu caminho. Para aqueles novos amigos, minha aparência era a última coisa que importava nesse mundo.

Ao mesmo tempo comecei a conhecer vários outros negros, morenos, moreninhos e escurinhos que como eu tinham seus traumas e questoes de beleza, raca, alisamento de cabelo, aceitacao social, cor de pele, preconceito e quinhentos anos de história brasileira pra criar um certo incômodo vez ou outra. Poder conversar com pessoas que entendem nossa perspectiva nos ajuda a entender melhor pelo que passamos. Esse entendimento pode funcionar como um verdadeiro calmante para questoes mal resolvidas. No Brasil nunca sofri preconceito declarado, até mesmo porque nosso povo vive dizendo que isso nao existe no nosso território, mas foi difícil crescer sem nunca ver um rosto parecido com o meu nos anúncios de televisao e sem nunca poder aprender dicas de maquiagem e cuidados com os cabelos nas revistas femininas. Tenho notado que essa situacao está mudando aos poucos. Fico feliz. Quem sabe minha filha vai se sentir à vontade pra usar o afro dela numa boa e ser considerada a gatona da escola por causa e nao apesar disso.

E por falar em cabelo, quando cheguei aqui na Alemanha percebi que quanto mais indomável ele está, mais elogios eu recebo. Comecei a perceber também que aqui beleza sao outros quinhentos. Loiras pintam cabelo de preto, dao permanente pra ter cachinhos e frequentam saloes de bronzeamento artificial. Me espanta ver que aqui tem mais negro na televisao e nas páginas das revistas do que no meu Brasil. No país onde a maioria tem cabelo e olhos claros "black is really beautiful" e de acordo com Heidi Klum a próxima supermodel daqui é negra. Ela é mesmo lindíssima, mas eu me pergunto: será que a gente tem de sempre querer ser diferente do que somos? Será que o padrao local de beleza nao pode ser o nosso próprio padrao individual? Se gosto é pessoal, porque que tanta brasileira quer parecer Gisele Bündchen e a alema quer parecer com Naomi Campbel?

A mídia mundial quer sempre fazer nós mulheres nos sentirmos inadequadas a todo custo. Mulher insatisfeita compra mais. A lavagem cerebral é tamanha que a gente acaba se convencendo que não dá pra ser negra no Brasil, loira na Alemanha, gorda e coroa em nenhum lugar do mundo. Entao a gente sofre e se sente mal na própria pele porque onde quer que se olhe em busca de algum modelo só se vê supermodelo magrela e de preferência com um visual diferente do da maioria. O que a mídia e o senso comum chamam de exótico eu chamo de neurótico. Mas como é difícil nao se deixar influenciar por isso...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Dinheiro

Tudo começou durante uma aula de inglês na qual surgiu o assunto do que era ou não era apropriado se dizer a alguém que está aniversariando. Depois de todos concordarem que em qualquer lugar do mundo é melhor evitar perguntar a idade do aniversariante (principalmente se for mulher e aparentar mais de 15 anos de idade) e que qualquer pessoa se derrete ao ouvir que parece cinco anos mais jovem, sugiu uma controvérsia à respeito do que se deve dizer ao congratular o aniversariante. Parabéns, felicidades, muitos anos de vida e saúde, muito amor e dinheiro no bolso, sugeriu um aluno . O resto da turma protestou: muito dinheiro? que estranho desejar isso.

Ok, na verdade o que se diz, simplificadamente ao aniversariante é o clássico "Feliz aniversário" mesmo e acabou, mas não tem nada de errado em se desejar tantas coisas boas à alguém numa data tão especial, foi a minha resposta. Um outro aluno vai e responde que o problema não era o pensamento em si e sim falar de dinheiro assim à toa com outra pessoa, muito estranho e meio constrangedor, acrescentou. O primeiro aluno, o tal que fez a sugestão que iniciou toda a polêmica questionou o porquê da frase dele ser constrangedora. Afinal de contas ele não estava perguntando quanto a pessoa ganhava, estava apenas desejando que a pessoa estivesse sempre bem na fita finaceiramente.

A resposta de uma outra aluna é que foi fascinate: "Não sei qual a opinião dos ingleses sobre esse tema, mas nós alemães simplesmente não falamos de dinheiro. Nós não falamos sobre dinheiro, nós simplesmente o temos." (We don't talk about money, we just have it). O meu aluno angolano, que queria desejar fortuna aos aniversariantes e eu, nos calamos prontamente. Involuntáriamente, trocamos um olhar de cumplicidade que se traduzido diria: "Toma sacana, na sua próxima vida vê se nasce num outro país." De preferência em um no qual as pessoas não precisem falar tanto de dinheiro porque ele é sempre suficiente.

terça-feira, 31 de março de 2009

Greve de idéias

Ando sem tempo e sem inspiração pra escrever e isso é muito chato quando se tem um blog. Fico me cobrando pelo menos um texto por mês (muito mais realista do que meu projeto inicial que era de um texto por semana). Um texto por mês parece até pouco e uma meta realista, mas quando a gente se vê no meio do dia-à-dia confuso de professora freelancer num país neurótico como esse aqui, nem sempre é fácil de cumprir.

Engraçado é que tenho uma lista enorme de tópicos sobre os quais eu quero escrever. Coisinhas pequenas da vida por aqui, insights que tenho durante as muitas conversas legais com minhas companheirinhas de cerveja, lembranças do início de minha vida em Bremen... mas no momento meu tempo livre é tão pouco que a lista só faz aumentar enquanto o blog fica parado. A vontadade de escrever ainda está aqui, mas a inspiração está em greve. Ai ai ai, será que daqui pro mês que vem essa greve acaba?


sábado, 28 de fevereiro de 2009

Amigos

Meus amigos me amparam, aconselham, consolam, mimam, fazem rir. Tenho amigos de muitas idéias, cores, origens, espécies e idades. Uns de boa família, outros nem tanto. Alguns são pobres outros ricos, mas pra mim todos lindos.

Nos meus piores e melhores momentos lá estão eles me apoiando, dando bronca, entendendo, me fazendo rir ou rindo de minhas besteiras. Cada qual de sua forma e com seu jeito especial que os eleva a condição de MEUS AMIGOS. Sou uma mulher de tanta sorte que se fosse fazer uma lista de meus amigos, faltaria lugar no blog. Dispenso portanto, a tal lista. Meus amigos sabem sem dúvida quem eles são.

O mal de se viver tão longe é que a gente não pode ter os velhos amigos sempre por perto. A amizade passa a ser vivida em pequenos fragmentos. Um pouquinho quando se recebe visita, mais um pouquinho quando se volta à casa. A tecnologia empresta mais um pouquinho. Mas para uma pessoa como eu isso nunca basta. Queria morar com todos os meus amigos, estar com eles a todo momento, ouvir suas vozes a cada segundo, saber o que eles estão pensando... Muita gente deve achar meio louco isso. Eu acho que é maravilhoso (e doloroso) ser apaixonada por meus amigos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Obrigada, dona Boba


Para mim a Esperança é uma boba alegre sem noção. O bicho pega, a casa cai e ela não abandona o barco. Muitas vezes depois de eu achar que ela morreu, basta um acontecimento banal pra trazê-la de volta a vida. É uma sonhadora irreparável que muitas vezes me aporrinha por não me deixar desistir de meus projetos insanos. Minha esperança vai aos pouquinhos me empurrando para frente, muitas vezes contra minha vontade. Para mim ela tem vida própria.

Não sou eu quem quer fazer lista de metas para o ano novo, mas ela simplesmente não me deixa desistir de um dia ter exatamente aquilo que eu quero. Por isso o ano começa eu me vejo indo pra academia, comendo salada, estudando, arrumando o guarda-roupa. Quem me conhece sabe que eu quero mesmo é tomar cerveja em frente à televisão o dia todo e deixar tudo pra amanhã. Mas minha Esperança, grande empreendedora que é, me faz saltar da cama cedo e me alimentar bem, porque ela sabe que eu quero ser saudável, ir pra academia, porque sabe que meu sonho é um dia ter um corpão malhado, estudar, porque ela sabe que eu acredito que o ser humano tem de ter substância, escrever, porque sabe que isso alegra meu espírito.

A bobinha da minha Esperança se recusa a desistir de mim e de meus projetos e eu no fundo a agradeço por isso. Atribuo portanto a autoria deste texto, bobinho como ela mesmo, à danada da minha Esperança que em 2009, assim como em todos os anos, quer me obrigar a me organizar mais, estudar mais, cuidar melhor de meu dinheiro, cuidar melhor de mim, continuar meu blog e ser feliz.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Receita de Ano Novo (Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
Cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvéz ou nem sentido)
Para você ganhar um ano
Não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
Mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
Novo
Até no coração ds coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
Passa telegramas?).
Não precisa
Fazer lista de boas intenções
Para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
Pelas besteiras consumadas
Nem parvamente acreditar
Que por decreto da esperança
A partir de janeiro as coisas mudem
E seja tudo claridade, recompensa,
Justiça entre os homens e as nações,
Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
Direitos respeitados, começando
Pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
Que mereça este nome,
Você, meu caro, tem de merecê-lo,
Tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
Mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
Cochila e espera desde sempre.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A todos que acompanham meus delírios aqui no blog, um super feliz natal!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Berlim



Domingo passado voltei de Berlim, onde tinha passado quase a semana inteira e estou apaixonada por aquela cidade. Berlim é imensa e imponente. Como toda grande cidade, ela não espera por ninguém. Ao andar por suas ruas você ouve, lê, vê, pisa e respira história sem parar. Muito lindo, muito marcante e sem dúvida nenhuma, muito inspirador. Tenho que voltar em breve.