sábado, 4 de outubro de 2008

Tree Hugger

The flower said "I wish I was a tree"
The tree said "I wish I could be a different kind of tree"
The cat wished that it was a bee

The turtle wished that it could fly
Really high into the sky
Over rooftops and then dive deep into the sea

And in the sea there is a fish
A fish that has a secret wish
A wish to be a big cactus with a pink flower on it
And the flower would be it's offering of love to the desert
And the desert,
So dry and lonely
That the creatures all apreciate the effort

And the rattlesnake said "I wish I had hands,
so I coud hold you like a man"
And then the cactus said "Don't you understand?
My skin is covered with sharp spikes
that will stab you like a thousand knives.
A hug would be nice, but hug my flower with your eyes."

Kimya Dawson and Antsy Pants

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Bambüddel


O início do semestre de aulas me motivou a escrever mais um texto sobre uma das escolas onde eu trabalho aqui em Bremen, a VHS. Tem mais ou menos um ano que a sede da escola foi transferida de um casarão em um bairro de classe alta de Bremen para um prédio high-tech de nove andares perto do centro. Pela história da escola, era mesmo meio esquisito que sua sede fosse em uma mansão em um bairro chique. A nova sede com certeza tem mais a ver com a história da instituição.

O prédio onde hoje funciona a Bremer Volkshochschule foi propriedade do comerciante judeu Julius Bamberger, que viveu de 1880 à 1951.Sendo judeu e vivendo aqui na Alemanha nesse período, não é difícil de imaginar o que aconteceu com ele, não é mesmo? Pois é, a perseguição nazista o obrigou a fugir para a Suíça, depois para a França e finalmente para os Estados Unidos. Seu edfício, que deveria ter sido o primeiro shopping center de Bremen foi bombardeado em 1945, mas mesmo antes disso, já tinha sofrido embargos mil, uma das medidas persecutórias utilizadas pelo Terceiro Reich.

Ano passado a VHS se mudou para esse prédio que é também conhecido como "Bambüddel". Dizem que o "Bambüddel" é todo high-tech. Eu falo "dizem" porque a tecnologia que eu vi até agora no prédio ainda não me impresionou. Mas tudo bem... é difícil impressionar com tecnologia alguém que já trabalhou no Sartre COC. Por isso, prefiro simplesmente dizer que deve ter muita coisa escondida que eu ainda não descobri... Como eu sou dessas pessoas que demora pra entender as grandes inovações tecnológicas, mas que se impressiona muito facilmente com pequenas coisas simples, tenho de confessar que o que mais chama a minha atenção no "Bambüddel" é o café e restaurante que tem no térreo.

Lá os funcionários sabem os nomes dos clientes e o atendimento é sempre acompanhado de um sorriso. E não é esse sorriso obrigado pela política da empresa, muito frequente nos atendimentos de nossos tempos, não. Sei disso porque é um lugar onde idosos e portadores de deficiência se sentem à vontade para demorar uns minutos a mais do que os outros para achar o dinheiro na carteira e o funcionários não ficam impacientes. Esse tipo de delicadeza com outro aqui por essas bandas, me impressiona muito mesmo. Isso, e a vista lindíssima que se tem de toda cidade lá do último andar do edfício.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

VHS


VHS é a abreviatura de Volkshochshule que traduzindo para o português seria uma coisa tipo "escola do povo" ou "escola popular". Quase todas as grandes cidades alemãs e austríacas tem uma VHS, para sorte de muita gente que mora aqui. Eu explico: quase todas as VHS foram fundadas depois da Primeira Guerra Mundial numa tentativa de oferecer educação rápida e de qualidade para os milhões de pessoas para as quais o direito à uma formação acadêmica foi negado durante esse período da história. Mas foi mesmo durante as décadas de 60 e 70 que as VHS aqui na Alemanha estabeleceram seu caráter popular, inovador e revolucionário. Até hoje as VHSs são conhecidas por serem escolas que oferecem cursos bons e diferenciados à preços que qualquer trabalhador pode pagar. Um curso de inglês, por exemplo, custa em média 80 Euros, ou mais ou menos R$190,00 o semestre. Não é à toa que muitas pessoas, só de passa-tempo, se matriculam em cursos de inglês, jardinagem, decoração, fotografia, yoga e o diabo a quatro aqui.

A Volkshochschule também foi a primeira escola a me oferecer emprego como professora de inglês aqui na Alemanha. Me lembro de minha entrevista com Maggie Bouqdib, na qual a gente conversou como se já nos conhecessemos a anos e que no final saí de lá com duas turmas a começar na semana seguinte. Ela também foi a primeira coordenadora de escola aqui em Bremen que não achou anormal uma brasileira ser professora de inglês e que ao conversar comigo se interessou mais por minha experiência pessoal e profissional do que pela situação futebolística brasileira e pelas belezas do Rio de Janeiro (que eu nem conheço...).
Enfim, comecei a trabalhar na Bremer Volkshochschule em 2003 e foi amor à primeira aula. A escola tem seus problemas, como toda escola do mundo, mas é uma instituição pela qual é impossível não se apaixonar. Um das principais motivos talvéz seja porque num país tão cheio de preconceitos e idéias estranhas essa escola tem professores das mais diversas nacionalidades. E não é o previsível "Hans, só porque é alemão vai ter que ensinar alemão e Luigi vai ter que ensinar italiano só porque é italiano", não. Estas possibilidades existem também, mas na VHS Cris Oliveira é brasileira, não entende de futebol e ensina inglês. E ninguém acha nada estranho nisso.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Brasileira


Em 1992 eu dei minha primeira aula de inglês. Meu alunos na época nem desconfiavam que tinham sido entregues nas mãos de uma pessoa que não tinha a menor idéia do que estava fazendo. No entanto, graças à São Morfema (os católicos fervorosos que me desculpem, mas não sei qual é o santo protetor das salas de aulas) nenhuma catástrofe aconteceu e aos poucos eu fui tomando gosto por ensinar e com isso passei a sempre procurar ser a melhor professora que eu posso ser em cada momento de minha carreira profissional.

Desde abril deste ano resolvi tentar ensinar português. Contei e ainda conto com a ajuda de Shi, que além de ser uma grande amiga é também uma excelente professora de nossa língua. Comecei dando aula para um grupo apenas e a coisa está comecando a se expandir. Estou muito surpresa e feliz de ver que nossa língua está sendo cada vez mais procurada por aqui. Tem gente que quer aprender por causa do trabalho, muitos aprendem simplesmente para viajar pelo Brasil ou Portugal e muitos outros querem aprender português porque tiveram algum contato com a língua e a acharam linda. Ou conhecem brasileiros e os acham pessoas muito bacanas, divertidas e com isso só já se motivaram para querer aprender nossa língua.

Me orgulho de minhas origens e acho meu país lindo, mas confesso que meu nacionalismo nunca foi muito exibicionista. Apesar de amar meu país não penduro bandeira do Brasil na minha sala nem durante a copa. Não é protesto, nem descaso. Meu amor pelo Brasil e tudo que diz respeito a ele é assim mesmo, calminho. Eu gosto de senti-lo sem precisar fazer alarde disso. Mas este momento em que estou tendo a possibilidade de dividir meu idioma e minha cultura com outras pessoas tem me deixado extremamente feliz. E outro dia me peguei cantarolando "ah... sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor..."



domingo, 27 de julho de 2008

Do jeito que se veio ao mundo

No meu aniversário esse ano resolvi fazer algo diferente do que sempre faço em aniversários e me mandei pra um Spa perto de Leipizig. Aqui na Alemanha existem uns vilarejos no fiofó do mundo que por serem muito retirados e basicamente não terem atrativo nenhum, acabam se resignando a serem retiros. Essas cidades recebem a denominação de "Bad" e se tornam o destino de pessoas interessadas em se isolarem por razões diversas: meditação, tratamentos psicológicos, tratamentos de beleza, terapias anti-stress, o escambáu. São lugares onde o maior agito é o som dos pásssaros cantando pela manhã e das árvores sendo agitadas pelo vento durante a noite. Por isso se alguém convidar vocês para visitar uma cidade cujo nome seja Bad- alguma coisa, tenham medo.

Enfim, fui para Bad Düben com meu amor, rumo a uma estadia de dois dias em um hotel-spa encravado no meio de um bosque lindo e onde, como já expliquei , não tinha nada pra ver nem pra fazer a não ser relaxar e ... o hotel era lindo e eu nem desconfiei de nada quando o recepcionista nos entregou o mapa do hotel e eu vi na legenda uma coisa chamada "Bademantelgang" (caminho do roupão). Nos acomodamos e fomos explorar a área. Muito verde, piscinas e saunas de todos os tipos imagináveis. Resolvemos começar aproveitando as saunas e quando tirei meu roupão e meu amor viu que eu estava de biquini, ele me informa, para meu terror, que eu teria de me despir completamente. Minha pergunta: "Como assim?" resposta: " Nessa área do hotel só pode ficar pelado." Minha reação: "Hã?"Depois de muita discussão do tipo tira-não-tira-o-biquini, resolvi a contra-gosto vestir a fantasia de Eva, mesmo sem entender o porquê de se ter de estar como se veio ao mundo para poder ir à sauna.

Aqui na Alemanha as pessoas não precisam de muita desculpa pra deixarem cair as toalhas e revelarem suas coisas sem o menor constrangimento. Eu já tinha entrado em contato com essa nua realidade em diversos parques, piscinas e lagos por aqui onde as pessoas (prestem atenção!) tomam banho de calção e biquini e antes de irem embora, tiram a roupa ali mesmo na frente de todo mundo, vestem a roupa seca e vão embora. Meu amigo-irmão Lubisco, que já morava aqui antes da minha primeira chegada em 2002, me alertou para isso. Ele chamou minha atenção para um interessante paradoxo que acontece por aqui: você reconhece as brasileiras nas piscinas pelos biquinis minúsculos que pouco deixam para a imaginação. Os alemães ficam horrorizados com nossa economia têxtil, mas acham a coisa mais natural do mundo tomarem sol sem a parte de cima do biquini e ficarem desfilando sem roupa por aí.

Confesso que meu constragimento em Bad Düben durou apenas meia hora. Depois disso eu nadei, feliz da vida com minhas coisas sendo exibidas livremente. Me senti a própria protagonista da Lagoa Azul. Hoje em dia estou convencida de que roupa é uma bobagem. Pra falar a verdade estou escrevendo esse texto agora mesmo da mesma forma como vim ao mundo. Quem me acompanha nessa?

Entre o português e o alemão

Meu computador está de brincadeira comigo e nao está permitindo que eu acentue devidamente. Irônico que justo nesta postagem sobre meus devaneios linguísticos nao vou poder usar nem til, nem cedilha. Mas o objetivo final da linguagem é a comunicacao. Se para isso o falante nao dispoe de um certo recurso ele acaba se virando com outro. O importante é comunicar. Vou me comunicando por enquanto com acentuacao precária mesmo. Fico na esperanca de que a mensagem seja compreendida apesar de tudo.

**********************************************************************************

Para alemao literatura é ciência. Danca é competicao ou esporte. Para mim, literatura e danca sempre serao arte. Para brasileiro, jogar e brincar sao duas coisas diferentes. Em alemao, a palavra spielen coloca os dois verbos no mesmo saco. Se tudo é a mesma coisa, por que será que por aqui nao se veêm jogadores como Ronaldinho Gaúcho ou Garrincha que sabem jogar brincando?

Na língua alema estudar e aprender é uma coisa só: lernen e ponto. Seria muito bom se cada vez que um alemao sentasse pra estudar ele pudesse mesmo garantir que aprendeu. E por fim, será que alguém aí pode me explicar por que é que numa cultura na qual as mulheres sao tao fortes a gramática permite que o homem e o menino sejam masculinos (der Mann, der Jung) e a menina (das Mädchen) tem de ser neutra?

********************************************************************************
Leiam também o post Lost in Translation onde eu deliro a respeito de coisas parecidas.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Letter to a Younger Me

From: Cris aged 32
To: Myself aged 15

Dear Cris,

First of all, happy birthday!

I bet you are surprised I'm writing to you, but I thought that hearing from me now would make your life a lot easier in the future. You are a very hard-working and intelligent young woman and you'll be very successful in your life, if you learn not to give up what you start. That's why I advise you to think twice before dropping that English course you've been complaining so much about. I know when you started learning English, it was supposed to be a hobby and at the moment it's just not fun anymore. But hang in there and you'll end up with a beautiful career, which will teach you a lot about people and more importantly, it'll teach you a lot about yourself.

Never forget how old you actually are. Right now, what I see is a teenager trying to be an adult at all costs. You always try to be older than you really are. Forget this! Enjoy your age. You are truly very young and you should act so. That means you should be sillier, angrier, rebel more and make more mistakes! Believe me, people who matter will love you not only despite your mistakes, but also because of them.

Stick to your plans, support your own ideas as crazy as they may seem and speak up if you wanna be heard. Believe me, you're not the only one feeling what you're feeling or thinking what you're thinking, so don't be afraid. Don't always do things in a rush. Instead of doing things trying to get rid of them so that you can go ahead and do something else, try doing less, but taking your time and enjoying what you're doing.

Have confidence in yourself. When I look at you I see a strong, intelligent person who is just too insecure to speak your mind, so you end up pleasing everyone but yourself. That's just tiring!Think about yourself for a change. Let your parents worry about you. You are the child and they are the adults. Don't try to switch places with them.

And finally, don't wear neon coloured leggings, jackets with shoulder pads or New Wave Glitter Gel on your hair. It doesn't matter what Capricho magazine says. It simply doesn't look good and you'll totally regret it later.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Coming next...


Meu próximo post vai ser bem cara-de-pau. Um post meu para mim mesma em minha própria homenagem. Não tive um ataque de narcisismo, não. A estória é a seguinte:

Um dia desses aí eu achei o site de um livro muito fofo. O título é "What I Know Now: Letters to My Younger Self". Trata-se de uma coletânia organizada pela jornalista americana Ellyn Spragins. Nesse livro ela entrevista diversas mulheres famosas de diversas formas de fama, como por exemplo a cantora Macy Gray ou a ex-secretária de estado do governo Clinton, Madeleine Albright. Nessas entrevistas, ela primeiro situa o leitor pra que tipo de mulher é aquela que está sendo entrevistada e um pouco de sua estória de vida. Depois ela pergunta às entrevistadas o que elas diriam à si mesmas, se elas pudessem fazer essas mensagens viajar no tempo. Depois disso as entrevistadas são convidadas a escrever essas mensagens como cartas para elas mesmas mais jovens. As cartas não chegarão à destintária é óbvio, mas com certeza as mensagens vão acabar tocando os corações de muitas outras mulheres.

O mais lindo desse livro, no entanto, é saber que parte da verba arrecadada com sua venda vai pra ongs engajadas em causas para benefício de mulheres no mundo todo. Cada ano eles elegem uma ong e uma causa diferente. Além disso é lindo ver que as cartas, escritas por mulheres tão diferentes dão a impressão de que nós todas vivemos os mesmos dramas pela vida. Elly Spragins disse que o objetivo dela com essa coletânia é inspirar mulheres. Pois é, eu me inspirei. Fiquei pensando em como seria maravilhoso se eu pudesse de fato fazer uma carta assim chegar até minhas mãos quando eu era tão jovem e confusa e tudo era um drama enorme. Iria com certeza ser uma experiência estranha e divertida. Minha carta para minha younger self vem aí no meu próximo post.

Eu sei que essa estória parece água com açúcar, auto-ajuda, blá blá blá. Mas como diria o finado Raul Seixas: "Quando uma flor é uma flor e não tem outro jeito da gente dizer, pra que mentir, quando eu sei, eu sei que eu quero mesmo é cantar iê iê iê, eu quero mesmo é falar de você, eu quero mesmo é falar de amor, eu quero mesmo é rimar amor com dor, eu quero mesmo..."

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Gentileza? Não, obrigada

No mundo de hoje ser gentil é difícil. Tive a prova disso umas semanas atrás. Estava num ponto de ônibus quando um senhor meio apressado chegou, me entregou um papelzinho dizendo “pode ficar com esse, eu tenho outro” e rapidamente entrou no ônibus. Percebei do que se tratava o tal papel ainda a tempo de acenar um “obrigada” para ele antes do motorista arrastar o ônibus. O tal papelzinho era um ticket de passagem, que valia por um dia inteiro no valor de 7,30 euros. 

A primeira coisa que me veio à mente foi se o ticket era válido mesmo, e era. Depois fiquei me questionando porque alguém daria 7,30 assim a um desconhecido na rua à troco de nada. Concluí que ainda existe muita gente boa neste mundo e fiquei feliz de ter recebido o ticket, apesar de que pra mim ele não iria fazer muita diferenca, pois eu também já tinha um. Cheguei à conclusão que seria um desperdício de dinheiro e de boa ação guardar aquele ticket entao resolvi passá-lo adiante. Cheguei perto da primeira pessoa que estava prestes a pagar a passagem ao entrar no ônibus e ofereci o ticket. O rapaz recusou muito educadamente dizendo que preferia pagar pela própria passagem.

Continuei tentando achar alguém que pudesse se beneficiar do tal ticket. A segunda pessoa para a qual ofereci, perguntou quanto eu queria por ele e quando eu falei que era de graça, ela simplesmente se afastou sem dizer mais nada. Teve uma menina que me olhou de cima a baixo e concluiu que eu nem era digna de uma resposta. Um senhor, me perguntou pra que eu estava tão interessada em passar aquele ticket adiante. Expliquei a situacao e ele disse somente: Não fique aé se preocupando não. Já que ninguém quer, jogue esse ticket fora! Ele também preferiu pagar a passagem a aceitar o ticket.

Realmente dessiti de tentar passar a passagem pra alguém. Voltei pra casa me sentindo mal com a sensação que gentileza desperta desconfianca, é uma coisa desnecessária e o melhor mesmo é guardar pra si. Que conclusão horrível! Eu insisto em acreditar que o mundo está repleto de pessoas boas. Ou será que eu sou muito boba e confio demais?

sábado, 14 de junho de 2008

Estrangeira

Apesar de estar vivendo aqui em Bremen a quase seis anos entre idas e vindas eu ainda nao tinha me sentindo estrangeira. Deslocada sim, meio estranha e diferente de todos também, mas nunca verdadeiramente estrangeira. E isso era uma coisa boa já que a vida para estrangeiros aqui nem sempre é um mar de rosas.

Até que duas semanas atrás comecei a ver bandeiras alemães por toda parte. A princípio foi curioso, mas quando não só o número como também o tamanho das bandeiras comecou a aumentar, fui ficando meio assustada e comecei a achar que tinha uma guerra acontecendo por aqui da qual eu ainda não tinha me dado conta. Pouco antes de entrar em pânico descobri que o país estava em contagem regressiva para o campeonato Europeu de futebol, conhecido por aqui com EM (Europa Meisterschaft). Por aí vocês deduzem o quanto eu me ligo em futebol... Minha (falta) de empolgação com esportes à parte, os fãs do futebol com suas bandeirinhas tem dado muito pano pra manga na discussão sobre o orgulho nacional por aqui.
Como Ubaldo Ribeiro, muito precisamente observou em seu livro de crônicas “Um Brasileiro em Berlim”, até bem pouco tempo atrás a coisa mais difícil de se achar aqui na Alemanha era um alemão. Quando se perguntava “De onde você é?” As pessoas respondiam orgulhosas que eram da cidade tal ou de uma certa região, mas nunca que eram da Alemanha. Dizer que era alemão, era mais ou menos como confessar um defeito horroroso. Coisas do passado de guerras...
Hoje em dia, discute-se muito sobre isso e sobre quantas gerações serão obrigadas a viver sentindo vergonha e se desculpando pelas atitudes de seus antepassados até que passe a ser tranquilo assumir sua própria nacionalidade, ou poder pendurar a bandeira de seu país nos seus carros ou nas janelas de suas casas sem que com isso uma polêmica seja levantada. Nunca fui contra sentimento de nacionalismo se nao é doentio nem babaca como o de muitos americanos. Mas ver esse monte de bandeira todo dia me faz lembrar a todo instante que eu não sou daqui. Sou estrangeira. E sinceramente, como diria meu marido, um polonês naturalizado alemão, esse monte de bandeira alemã hasteada ao mesmo tempo dá um medo...