A cidade de Bremen é cheia de parques. Todos lindos, bem cuidados e cheios de pessoas fazendo esporte, crianças brincando. Quando vai chegando essa época do ano, na qual o sol brilha mais e faz mais calor, as pessoas aproveitam pra tomar um solzinho no parque antes de ir pra casa. Esse daqui é bem pertinho do centro da cidade num bairro chamado Ostertor, mas conhecido como Viertel. Lá atrás dá pra ver o teatro Goethe.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Esperando o próximo Carnaval
Duas semanas depois que o carnaval acabou, depois de ter superado a ressaca, depois de ter revisto minhas fotos tiradas em plena loucura momesca, me sinto em condições de refletir e escrever sobre ele. Passei meu carnaval este ano em Colônia, cidade do estado da Renânia Norte-Vestfália que fica à mais ou menos 300 km de Bremen. Assim que desci do trem, vi que Elvis estava conversando animadamente com o Homem -Aranha e a Smurfete. Os três tomavam cerveja enquanto esperavam o bonde. Pronto! Tive certeza que estava no lugar certo.
Colônia é a terra do carnaval alemão. Durante os cinco dias seguintes a cidade inteira se fantasiou, lotou os bares com bailes de carnaval e vibrou cantando as mesmas músicas repetidas vezes. A festa tinha início logo cedo: lá pelo meio dia, as pessoas já começavam a formar as filas pra entrar nos bares e a energia, o bom humor e animação se mantinha até pelo menos as três horas da manhã. Depois de viver oito anos em uma cidade na qual a cultura de carnaval é praticamente inexistente, fiquei muito feliz de pode reviver essa festa este ano. O Kölner Karneval é uma experiência tão divertida e interessante quanto o nosso carnaval e em alguns aspectos até supera o nosso em termos de criatividade, já que ao invés de gastarem fortunas com uniformes pra folia, as pessoas investem seu dinheiro, mas também tempo,energia e criatividade nas próprias fantasias. Isso sem contar que em Colônia dá pra se concentrar na farra de verdade, sem precisar ficar tão ligado na violência que, na minha opinião, sempre cria uma nuvem tóxica de tensão no ar em todas as nossas festas populares no Brasil.
Mas seja lá ou aqui, percebi que meus carnavais tem uma coisa em comum: sempre os passei com pessoas queridas, que assim como eu, estavam mais interessados em viver momentos felizes com amigos do que na festa em si. Esse ano não foi diferente: tive a sorte de passar meu carnaval com uma grande amiga do peito, dando muita risada, relembrando momentos felizes e construindo outros pra relembrar no futuro.O fato que eu pude fazer tudo isso, fantasiada, dançando e segurando um copo de Kolsch(1), foi como a cereja no topo do sorvete ou em termos carnavalescos, como o véu de noiva na garrafa da cerveja.
Obrigada Shi, obrigada Chris. O carnaval com vocês foi bom demais.
______________________________________________________
1. Cada região na Alemanha se orgulha de sua própria cerveja. A de Bremen é Beck's. Kölsch é a de Colônia.
P.S.Vou fazer propaganda mesmo: Pra todos os que quiserem viver um carnaval inesquecível em Colônia, vão pro Petersberger Hof ou Berrenrather. Dois bares fantásticos, DJs que sabem o que a galera quer ouvir no carnaval, cerveja gelada, galera trabalhando com sorriso e bom humor o tempo inteiro. Os frequentadores do bar são super divertidos também. Se preparem: se forem uma vez, vão querer ir todo ano.
Marcadores:
Alemanha,
Amigos,
Cidades,
Colônia,
Eventos Marcantes,
Experiências
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Carnaval
Minha resposta era sempre um grande não toda vez que me perguntavam se eu gostava de carnaval. Mas por alguma razão misteriosa qualquer, sempre me encontrava em Ondina em algum momento da folia, me acabando de dançar atrás de algum trio elétrico bem infame.
Depois que vim parar aqui em Bremen parei de tentar entender se eu gosto ou não desse evento, porque ele simplesmente deixou de fazer parte de minha vida. Até que de repente eu descubro que aqui em Bremen tem um carnaval de samba que vem ficando maior a cada ano que passa. Finalmente compreendi porque os Saltimbancos queriam vir pra cá...
Hoje é carnaval aqui em Bremen. Grupos percussivos de diversas partes da cidade, outros da Holanda, desfilam pelo centro da cidade, tentando batucar como nas escolas de samba do Brasil. Pessoas fantasiadas dançando pelas ruas, confundem as cabeças de qualquer um que assista esse espetáculo: um frio danado te confirma que você está em Bremen, mas as fantasias e os rostos pintados te fazem pensar que isso aqui poderia ser Mardi Gras talvéz em New Orleans, a música por outro lado, te dá a ligeira impressão de estar no Brasil.
Muitas vezes quando se mora longe de nossa terra, a gente desenvolve uma fome extraordinária por tudo que é nosso. Sempre gostei de nossa cultura, mas de fato ao chegar aqui fiquei enloquecida de paixão por ela. O carnaval pertence ao mundo católico, mas o samba é nosso. Ver um desfile carnavalesco movido à samba no centro de uma cidade protestante alemã, me deixa com vontade de dizer que eu adoro carnaval. Mas enfim, vou parar de tentar solucionar esse mistério e cair no samba alemão. Se me lembar, quarta-feira de cinzas volto aqui pra dizer se valeu à pena.
______________________________________________________
P.S. O título desse post leva à página oficial do carnaval de Bremen. Está em alemão, mas as fotos são bonitas.
______________________________________________________
P.S. O título desse post leva à página oficial do carnaval de Bremen. Está em alemão, mas as fotos são bonitas.
Marcadores:
Alemanha,
Bremen,
Cidades,
Datas Importantes,
Eventos Marcantes,
Interculturalidade
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Privacidade Parte II
Antes que vocês digam que este guri estava apenas de brincadeira eu garanto à vocês que esse ele estava apenas reproduzindo muito bem o peso e valor que as pessoas aqui nesta cultura dão à sua privacidade. Quando comecei a ensinar aqui eu ficava irritada e confusa depois de cada aula. Eu simplesmente não entendia porque a mesma estrutura de aula que fazia o maior sucesso no Brasil era um grande fracasso aqui. Em Salvador, era raro ter uma turma que não se empolgasse com atividades que os fizessem levantar, andar pela sala falando uns com os outros e falando de si mesmos. Aqui, para essas atividades funcionarem, é necessário uma longa preparação. Já percebi que essas atividades funcionam muito bem depois de muitas atividades para se conhecer e criar um certo clima de intimidade no grupo. Além disso, se você e a turma ainda não se conhecem muito bem, sempre ajuda se você deixar bem claro no início de uma atividade dessas, que você não está nem aí pra vida pessoal deles e que eles devem inventar respostas se quiserem.
Comecei a dar essa instrução antes de cada atividade que tivesse pergunta pessoal, de qualquer tipo. Comecei também a dar informações sobre mim mesma que eram obviamente inventadas, só pra estabelecer um exemplo. Tipo, em uma aula eu dizia que tinha nascido aqui, em outra que tinha nascido no Brasil e por aí vai. De repente, um ou outro começa a se interessar e de fato querer saber. Cris, falando sério agora: você nasceu onde mesmo? Quando essa pergunta surge, na qual eles de fato querem saber alguma coisa pessoal sua, você sabe que o grupo atingiu aquele nível de abertura necessário pra atividades comunicativas darem certo, ou o mesmo nível do segundo dia de aula no Brasil.
Um outro aspecto importante é assegurar às pessoas que a privacidade deles está protegida com você. Eu gosto de fazer uma lista de contato nas minhas turmas para que, caso aconteça alguma emergência, a gente possa entrar em contato um com os outros facilmente. Antes de oferecem seus dados, os alunos sempre gostam de ouvir que eu não vou passar a lista pra mais ninguém e que ao invés de jogar aquele papel no lixo, que eu o jogarei no picotador de papel. É um monte de detalhe, pra quem vem de uma cultura onde basicamente ninguém tá nem aí com essa coisa, mas vale à pena passar por isso pra que no final das contas o ambiente de sala de aula seja relaxado e para evitar que os alunos achem que você é um interrogador e que eles estão de volta aos tempos da Alemanha dividida.
Isso é um caso sério mesmo. Por questões históricas esse povo tem trauma de ser seguido, observado, interrogado. A Alemanha já viveu vários momentos em que privacidade não era um direito e sim apenas um conceito distante e por isso hoje, que de fato é possível, ter privacidade, eles à protegem com unhas e dentes nas menores coisas. Por exemplo, ninguém te pergunta qual a sua religião, pra quem você votou, se você é casado ou solteiro, se tem filho. Pouca gente se exaspera quando descobre que você não tem celular ou quando te liga e ele está desligado. Se você liga pro trabalho e diz que está doente e não pode ir trabalhar, ninguém fica te perguntando o que você tem, você conta se quiser. Inclusive determinadas perguntas no ambiente de trabalho podem até gerar processos de invasão de privacidade. A precaução com a privacidade no terreno virtual também beira a paranóia e sempre me intrigou, já que a Alemanha é campeã em produção e exportação de tecnologia que ela mesma é cautelosa ao usar.
Para resumir a conversa, tem um velho ditado que diz: "Quando em Roma faça como os Romanos". Já que estou na Alemanha, aprendi a ser mais cautelosa e cuidar mais da minha privacidade. Acho que encontrei o caminho do meio entre a super exposição brasileira e a super paranóia alemã. E o ideal pra grande parte das coisas desse mundo não é mesmo poder apreciar de tudo com moderação?
Marcadores:
Alemanha,
Brasil,
Ensino,
Experiências,
Filosofando,
Interculturalidade
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Bremer Dom
Pra quem não acredita em mim quando eu digo que Bremen é linda, aqui está mais uma prova. Uma foto tirada recentemente em um dia friozinho, mas de muito sol. Beleza de verdade, sem truques nem fotoshop. Nem uma câmera mais ou menos impediu essa cidade de sair bem na foto. Esta são as torres da catedral de Bremen, a St. Petri Dom.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Privacidade
Essa semana me deu uma coisa e eu troquei a imagem de um de meus posts. O problema é que se tratava de uma foto minha, na qual eu estava vestindo um top tomara que caia e bati a foto de um ângulo que só dava pra ver meus ombros. O efeito final ficou parecendo que eu estava sem roupa. Apesar da foto ter saído super legal e de ter ficado perfeita pro post, resolvi tirar do blog depois de refletir um pouco sobre como as pessoas aqui encaram questões de privacidade e auto exposição na internet. Isso veio porque no mês passado li um artigo em uma revista daqui que falava dos perigos de se usar Facbeook, Twitter e Co. e de pessoalmente contribuir com os invasores de privacidade por se expor demais na internet. O artigo expressava bem o que é uma preocupação constante do alemão: o medo de que sua privacidade seja invadida e seus dados repassados à terceiros através desses sites que viraram parte de nossa vida diária.
Em termos de exposição, eu me considero bem coluna do meio, ou seja: sei que estou longe de ser a pessoa mais reservada do planeta, afinal quem não quer aparecer de jeito nenhum não tem blog, não é mesmo? Por outro lado, não ando colocando meu nome completo em lugar nenhum, não tenho fotos comprometedoras e nem ando compartilhando minúncias de minha vida em nenhum site. No entanto, o pavor que alguns alemães sentem da exposição cibernética, tem me deixado meio paranóica. Fico me perguntando se de repente não estou cega sem saber o tamanho do risco que estou correndo ao me conectar.
Quando comparo meus amigos brasileiros com os alemães, minha confusão só aumenta. Os brasileiros fazem uso de absolutamente TODAS as tecnologias disponíveis no mundo sem o menor receio. Eu adoro, claro porque posso ver todas as fotos, saber de tudo que tá se passando e aprender. Sim, porque foram meus amigos brasileiros que me apresentaram ao Orkut e mais tarde ao Facebook. Se não fosse por um deles, estaria até hoje sem entender que cargas d'água era Twitter. Através deste mesmo amigo, conheci há pouco tempo o termo Formspring. Ainda não entendi direito pra que isso pode ser útil na vida de um ser humano, mas pelo menos me sinto menos ignorante por pelo menos já ter ouvido falar no nome da coisa.
Meus amigos brasileiros pelo visto não estão nem aí. Eles tem blog, fotolog, Formspring, Twitter, Facebook, Orkut, Skype, Myspace, emails mil, fazem compras online, internet banking e tem um celular de cada operadora atuante no país. O que me leva a achar que se essa tecnologia toda fosse assim tão malígna, muita gente já teria se dado muito mal. No entanto parece que até agora a única incoveniência que essa exposição toda causa são alguns emails indesejáveis que vão parar na lixeira e acabou.
Meus amigos alemães, por outro lado, ficam chatedos de verdade se você coloca uma foto da galera toda comportada no Facebook, por exemplo. Já ouvi estórias escabrosas de amizades que terminaram porque uma pessoa colocou uma foto da outra no StudiVZ (uma espécie de Orkut daqui), ou porque escreveu no status do Facebook "o encontro com fulaninho ontem no café tal foi ótimo". Eu respeito muito a privacidade de cada um e por isso depois de já ter visto muita cena feia por aqui, resolvi que não vale à pena tirar minha câmera da bolsa pra fazer foto de ninguém aqui. Não tiro foto de alemão, não comento sobre eles em site nenhum e no Facebook, me limito a aceitá-los quando me convidam, mas nunca procuro nem escrevo pra ninguém e só respondo o que me perguntam. Essa paranóia tira um pouco a graça da coisa, mas não tenho energia pra ter discussões filosóficas sobre o valor da privacidade depois de cada visita ao Facebook, por isso deixa quieto.
As coisas ficam ainda mais confusas pra mim quando vejo que muitas vezes as mesmas pessoas que se chateiam quando descobrem que alguém divulgou no Facebook fotos na qual aparecem no cantinho, não pensam duas vezes em se registrarem em sites especializados em busca de relacionamento amoroso. Sites nos quais a pessoa, não só voluntaria informações pessoais, como também efetivamente acabam se encontrando com pessoas completamente desconhecidas. Isso faz sentido? Qual a diferença? Será que alguém pode me explicar.
Eu pessoalmente só encontro uma justificativa: Em um país onde a criminalidade não é assim tão grande que você tenha de viver com medo de ser alvo de sequestrador, essa preocupação exagerada com a privacidade só pode significar que essas pessoas estão andando por aí se comportando muito mal. Andam tão preocupadas com a privacidade porque tem muita coisa a esconder, desde bebedeiras descontroladas e constrangedoras a casos de infidelidade e traições escabrosas. Se além de ter tanto segredo a pessoa ainda der azar de sair sempre muito feia nas fotos, entendo completamente essa recusa de se expor. Só tenho essa explicão.Ou não estou conseguido exergar outras questões muito mais complexas? Quem me exclarece?
Marcadores:
Alemanha,
Brasil,
Experiências,
Filosofando,
Interculturalidade
domingo, 30 de janeiro de 2011
Bremen é linda
Sabe esses momentos nos quais a gente finalmente enxerga uma coisa que estava debaixo de nosso nariz? De vez em quando tenho uns momentos desses. Momentos assim são mágicos e me fazem perceber que algo de criança ainda vive em mim. Me sinto como uma pessoinha recém chegada nesse mundo, se deslumbrando com uma coisa novinha em folha. Esse novo olhar para algo que já tinha visto milhões de vezes, me enche de felicidade, porque me dá a esperança de que a vida possa ser sempre assim, com possibilidades infinitas de se surpreender e encantar. Eu tenho isso com coisas, situações, pessoas, cidades...
Bremen é uma dessas cidades encantadoras onde eu vivo revendo coisas como se fosse a primeira vez. Eu me apaixonei por ela exatamente por sua capacidade de me surpreender constantemente. Essa cidade me faz surpresinhas com suas estações do ano diferentes, com suas ruazinhas, com sua história que vou descobrindo de pouco em pouco por culpa de meu alemão ruinzinho. Por isso convido vocês a me acompanharem em um city tour por essa cidade lindinha como a estorinha dos Saltimbancos que infelizmente não tiveram a sorte de chegar até aqui.
| Os músicos que nunca chegaram a Bremen. |
domingo, 23 de janeiro de 2011
Verdadeiro ou Falso - Transporte Público
Conforme prometido no meu post anterior, acaba de ser inaugurada aqui a seção Verdadeiro ou Falso. Com essa brincadeira eu pretendo oferecer algumas informações práticas e meu ponto de vista sobre certos assuntos que parecem meio confusos pra quem não conhece a Alemanha tão bem. Espero também com isso gerar discussões e questionar esteriótipos.
Tansporte Público:
O que dizem por aí: "Os metrôs na Alemanha não tem catraca nem cobrador. Você compra passagem se quiser. Ninguém tá nem aí se você comprou ou não o bilhete."
Falso e pode doer no bolso. Os transportes públicos na Alemanha realmente não tem catraca nem cobrador, mas têm essa maquininhas dentro dos bondes e de alguns ônibus.
| Máquina onde se pode comprar a passagem com um cartão especial. |
| Máquina onde se pode validar a passagem. |
Caso no ônibus não haja uma dessas máquinas, o passageiro deve dirigir-se ao mototrista e comprar a passagem diretamente com ele. Depois de adquirido o ticket com o motô, ele deve ser validado através de um carimbo da segunda máquina, a vermelhina. Aqui em Bremen o sistema está em transição. A intenção é de automatizar todo o processo de compra de bilhetes e por isso os ônibus mais novos tem as máquinas de compra e os mais velhos muitas vezes não. Detalhe que muitas dessas maquininhas de compra - a azul, só lhe vende a passagem se você tiver um cartão especial para esse fim. Caso não tenha, tem de comprar a passagem com o motô também e não se esquecer de validar.
Comprar uma passagem de ônibus ou bonde aqui em Bremen é uma coisa extremamente confusa e impossível para um turista que não fala alemão decifrar. São raros os postos de informações, o caminho para chegar até eles só é indicado em uma pequena área do centro da cidade e é raro achar alguma informação em inglês. Em defesa da Alemanha tenho a dizer que eles tem se esforçado bastante pra melhorar isso em cidades menores como Bremen e nas maiores como Berlim, Colônia ou Hamburgo creio que inglês não seja um problema. Mas os ônibus e bondes sim!
Apesar de não ter um cobrador dentro dos ônibus e bondes, existe aqui o que se chama de Kontrolleur nos bondes e ônibus ou Schaffner nos trens. Eles são os controladores de passagem e entram nos transportes públicos em grupos de três a cinco e passam conferindo se os passageiros tem bilhete de um por um. Caso alguém não tenha, quando eles estiverem controlando, se ferrou. Além de ser convidado a sair do ônibus no exato momento, o individuo vai ser multado num valor de mais ou menos 60 Euros (o valor exato varia de cidade pra cidade, do tipo de transporte e se você não comprou mesmo ou esqueceu se ticket em casa . Ainda tem essa...).
Resumindo, não é bem assim que a compra da passagem é opcional e as pessoas compram somente porque tem a consciência de que é o certo a se fazer. Compram porque contam com a possibilidade de encontrarem um controlador no caminho e faz muito mais sentido pagar entre 1,70 à 2,50 Euros do que correr o risco de pagar tão caro pela passagem.
Quando minha mãe veio me visitar aqui, passou 15 dias circulando toda Bremen de ônibus, comprando passagem e não encontrou um só controlador durante todo esse tempo. Saiu daqui também com a sensação de que a compra da passagem era opcional. Mas como vocês agora sabem, não é, portanto quando vierem a Alemanha procurem rapidinho se informar, de preferência logo na rodoviária quanto custa o bilhete. Existe uma variedade de opções também; desde os que valem por um dia inteiro aos que valem por um mês sem limite de quantas viagens fizerem. Existem bilhetes individuais e família. Procurem se informar logo na estação antes de desbravarem a cidade, porque como eu falei, nem sempre é fácil encontrar informação depois que se sai dos centros de movimento e para a mentalidade alemã ignorância não isenta ninguém das consequências. Ou seja, se for pego pelo controlador sem bilhete, dizer que não sabia, que não estava sinalizado, que o funcionário não explicou direito, não vai te livrar de receber a multa. Para o alemão se a informação está disponível em algum lugar, cabe a você descobrí-la e agir de acordo com ela.
Para um turista desavisado parece cruel, mas na vida prática tira o peso de muitas intituições e coloca o poder e responsabilidade diretamente nas mãos dos cidadãos. Então é isso, vou ficar por aqui e para todos vocês uma boa viagem!
domingo, 9 de janeiro de 2011
Gente boa
Muita gente concorda que esses e mails corrente que circulam por aí com mensagem pps em anexo são um saco. Pouca gente ainda se dá ao trabalho de abrir essas mensagens, mas uma vez ou outra, convencidas pelo título da mensagem ou pela pessoa que a enviou, assim como muita gente, eu acabo abrindo algumas delas. Um tema bem popular entre esses powerpoints, é a indignação que alguns sentem com o Brasil e a admiração pelos países Europeus, onde segundo essas mensagens as coisas são sempre as mil maravilhas.
Apesar de amar tanto o Brasil quanto a Alemanha, procuro enxergar os dois países com olhos bem críticos. Na minha opinião nem um nem o outro é perfeito, mas dependendo de certos valores pessoais e visão de mundo de cada um, a vida pode ser mais fácil aqui ou lá. O brasileiro, principalmente aquele que é certinho e cumpre seus deveres sociais, se sente frustrado com a falta de eficiência e transparência com as quais as coisas às vezes rolam no Brasil. Os que tem a chance de vir à Europa acabam se apaixonando. E parece que quanto menor a permanência maior a paixão, porque como turista, raramente dá tempo de ver além da perfeição das estradas, da pontualidade, das ruas limpas, das pessoas falando baixinho, da sensação de estar seguro na ruas onde não se vê criança pedindo nem ninguém sendo assaltado. No entanto, sou bastante cautelosa quanto a essas mensagens que deixam uma sugestão no ar de que a Europa está cheia de gente boa e civilizada e que o povo brasileiro é um bando de mau educado, mau intencionado e aproveitador.
Eu acho que o mundo está cheio de gente boa e gente ruim e essa distribuição obedece a um critério diferente que o simplesmente geográfico. Para mim gente boa ou gente ruim é mais uma questão de circunstância. Ser gente boa ou gente ruim depende da situação e não da nacionalidade. Tem um monte de brasileiro que não aguenta mais o Brasil, assim com tem um monte de alemão que não suporta a Alemanha. Conheço um monte que assim que pode, se mandou daqui e nem de férias quer voltar. Se existisse essa coisa de país perfeito ou gente boa, ninguém ia querer ir embora dessa terra de faz-de-conta e o resto do mundo, com certeza ia querer se juntar a eles. Os conceitos de país perfeito e gente boa, se é que existem, são relativos à necessidade de cada um. Pra quem tem de contar constantemente com o risco de ser assaltado, perfeito é andar na rua sem ter medo. Pra quem vive cercado de placas e regras, perfeito é poder agir com flexibilidade e espontaneidade.
Faz um certo tempo que uma amiga me mandou um desses e mails com uma mensagem de powerpoint em anexo, no quais maravilhas eram ditas sobre a Alemanha e onde se subtendia um certo desgosto pelo brasileiro. Neste mesmo e mail, minha amiga deixou bem claro que entendia que as coisas não são tão preto no branco assim e sugeriu uma brincadeira de verdadeiro ou falso. Resolvi aceitar a brincadeira como forma de oferecer minha contribuição na interminável tarefa de desconstruir esse esteriótipo de gente civilizada européia versus os mau educados do sul. Aguardem os próximos posts...
Marcadores:
Alemanha,
Brasil,
Desabafo,
Filosofando,
Interculturalidade
sábado, 1 de janeiro de 2011
Feliz ano novo
Sendo a otimista incorrigível que sou, todo início de ano entro na onda de acreditar que o ano novo vai ser melhor que o velho. Por saber que toda mudança começa com a gente mesmo, faço logo minha lista de coisas que devem melhorar no ano que acaba de começar. O final do ano passado e o início desse, no entanto, me pegaram meio sem inspiração e sem saber o que colocar nesta lista de coisas pra editar no ano novo.
A princípio fiquei com uma sensação esquisita. Como assim não tenho nada pra colocar na minha lista? Apesar de ser uma pessoa extremamente otimista, eu sei que 2010 não foi perfeito. O que acontece é que o corre corre e a rotina é uma verdadeira ladra de idéias para mim. Do fim do ano passado pra cá tenho me sentido cansada, sem inspiração e um pouco menos Cris.
Fui ouvir uma de minhas cantoras favoritas pra tentar me sentir melhor e me inspirar e foi certeiro: Ela melhor do que ninguém soube resumir como eu espero que 2011 seja para mim e pra todas as pessoas que eu amo. Não quero deixar que a repetitividade do dia à dia atrapalhe minha criatividade e minha capacidade de me empolgar com coisas bobas. Esse ano vou tomar emprestado as lindas palavras de India Arie1, cantora maravilhosa, pessoa inspirada e compositora talentosíssima. Que 2011 seja composto de 365 "beautiful days" para todos nós.
Life is a journey not a destination
There are no mistakes, just chances we've taken
Lay down your regrets cause all we have is now
Wake up in the morning and get out of bed
Start making a mental list in my head
Of all of the things that I am grateful for
Early in the morning it's the dawn of a new day
New hopes new dreams new ways
Of all of the things that I am grateful for
Early in the morning it's the dawn of a new day
New hopes new dreams new ways
I open up my eyes and
I open up my mind and
I wonder how life will surprise me today
Early in the morning it's the dawn of a new day
New hopes new dreams new ways
I open up my heart and
I open up my mind and
I wonder how life will surprise me today
Early in the morning it's the dawn of a new day
New hopes new dreams new ways
I open up my heart and
I'm gonna do my part and
Make this a positively beautiful day
It's a Beautiful Day
Make this a positively beautiful day
It's a Beautiful Day
Life is a challenge not a competition
You can still smell the roses and be on a mission
Just take a moment to get in touch with your heart
Sometimes you feel like you've got something to prove
Remind yourself that there's only one you
Just take a moment to give thanks of who you are
Life is a journey, not a destination,
There are no mistakes, just chances we've taken
Lay down your regrets cause all we have is now
_____________________________________________________________
1. Esse vídeo é de um desses programas tipo Ana Maria Braga. Tentem ignorar a cara de boba da apresentadora e curtam a música.
Marcadores:
Datas Importantes,
Eventos Marcantes,
Filosofando,
Música,
Poesia
Assinar:
Postagens (Atom)