domingo, 2 de junho de 2013

Lidando com o racismo

"Como você lida com o racismo lá?" Essa era a pergunta que eu mais tive de responder ao voltar ao Brasil depois de meu primeiro ano de Alemanha. A minha resposta, que na época surpreendia à todos – inclusive a mim mesma, era sempre :"Nunca tive de lidar com racismo lá". Deixa eu explicar direito o porque de minha surpresa e de minha resposta.



Há onze anos eu tinha acabado de terminar a faculdade e queria ter uma experiência no exterior antes de cair de cabeça no mercado de trabalho e de ter de me assumir adulta de uma vez por todas. Como professora de inglês, minha primeira escolha tinha sido a Inglaterra, mas como as coisas graças a Deus nem sempre saem do jeito que a gente planeja, eu acabei conhecendo uma pessoa maravilhosa, que é a tampa de meu balaio, com quem eu decidi dividir minha vida. E ele morava na Alemanha. Resolvi fazer uma pequena adaptação nos meus planos e mudei o destino de minha minha viagem.



O amor enche a gente de coragem pra fazer meio mundo de maluquice, mas no fundo, na época eu estava morrendo de medo do que iria encontrar aqui. É que naquele tempo eu não sabia quase nada sobre a Alemanha e o que sabia vinha de livros de história, ou seja, um passado macabro e sangrento. Quando não era isso era uma notícia aqui outra ali, no geral bem limitadinhas e estereotipadas do tipo Oktoberfest e neonazistas. Claro que eu tive medo e claro que estava tensa a respeito do que me esperava.



Quando cheguei, o que me impressionou foi perceber o quanto a imagem que se vende deste país é equivocada. Aqui tem sim Oktoberfest e neonazistas.Tem uma série de outros problemas e preconceitos também contra a mulher e contra estrangeiros, além de ainda terem dificuldade em lidar com todas as questões que a multiculturalidade traz consigo. A diferença é que os limitados e racistas daqui se escondem muito bem, e quando se mostram, são muito bem punidos. 



A sociedade debate constantemente sobre a intolerância e a mídia não dá trégua sobre esse tema. As pessoas no geral são cuidadosas com essas questões, são cautelosas nas escolhas das palavras quando não tem certeza se certo termo pode ser ofensivo e pedem desculpas imediatamente quando, sem querer, ofendem. Eu já passei por várias situações em que a pessoa com quem eu estava falando dizia alguma coisa sobre o cabelo ou cor da pele de alguém e logo em seguida me falava "Desculpa que eu falei assim, não sei se isso ofende. Como é o certo?" Eu sempre me emociono em situações como essas porque nelas eu vejo seres humano, que apesar de não sofrerem a mesma dor do outro, mostram empatia, humildade e vontade de mudar para o bem estar geral.



Teve uma vez que eu estava em um trem e um outro passageiro estava muito incomodado com minha presença. Não estava entendendo bem qual era o problema dele comigo até que ele fez um comentário racista se referindo a mim. Me levantei com a intenção de dizer umas poucas e boas a ele, mas antes de poder abrir minha boca, TODOS os passageiros do vagão (umas 15 pessoas ) se revoltaram e tomaram a frente, discutindo com ele de uma forma que me surpreendeu. A estória terminou com uma mulher que exigia que ele se desculpasse comigo e como ele se recusou os passageiros chamaram a polícia. 



Quem me conhece sabe que eu choro por tudo e claro que chorei no meio daquele fuzuê. Os passageiros me consolavam achando que minhas lágrimas eram por ter sido vítima de racismo. Mal sabiam eles que eram lágrimas de emoção por causa da reação deles. Foi um sentimento muito especial me ver sendo defendida e amparada por um grupo de pessoas desconhecidas. Fiquei pensando que todas elas eram muito diferentes, mas que uma coisa tinham em comum, que era o senso de justiça e a certeza de que um problema social é um problema de cada um deles. Cada um resolveu por si só levantar a voz e no final das contas eles formavam um grupo que se indignava com o comportamento racista do homem que me ofendeu. Vários passageiros me pediram desculpas depois da confusão. Um senhor me disse "Não deixe esse idiota interferir no que você veio fazer aqui, não. Aqui tem muita coisa boa." Essa atitude com certeza é uma delas.



Não são somente as pessoas à caminho do trabalho nos transportes públicos, que se preocupam em mudar a percepção de alguns de que a Alemanha é um país injusto. O governo daqui também investe constantemente em medidas sócio-educativas e reparadoras. Aqui existe cota pra mulher, estrangeiros, portadores de deficiência. Tem benefício pra quem tem filho na escola, pra quem é estudante universitário, pra ajudar a pagar o aluguel, pra ajudar a pagar atividades culturais e educativas se a família tem filho, pra comprar livros, pra comprar remédios e por aí vai. Judeus tem direito de imigrar pra cá sem a burocracia que pessoas de outras confissões enfrentam. A sociedade entende que isso tudo é normal. É raro ver alguém questionando essas medidas. Mesmo os alemães medianos parecem entender que se houve um erro histórico, uma retratação é inevitável. Se existe discrepância social, todo mundo sai perdendo então é melhor ter menos pra ter mais, dividir pra que ninguém deixe de ter. Infelizmente, eu percebo que as coisas andam piorando aqui também, mas o povo questiona tudo sem parar e isso atrasa as mudanças negativas, o que é bom.



Aí eu fico pensando no Brasil e de como a gente se orgulha de dizer que somos o país mais tolerante do mundo. A gente se interessa em saber como é a questão do racismo em outras partes do mundo e adora ficar repetindo essa de que somos um povo que não sabe o que é racismo porque é todo mundo misturado. Pra muita gente no Brasil, ativista de movimento negro é paranóico e ações afirmativas são racismo às avesas. Tem um monte de gente que fala como se tivessem sido pessoalmente ofendidas com toda e qualquer iniciativa que busca melhorar a situação social de um grupo que não goza dos mesmo benefícios que o resto da sociedade. 



Me choca o fato de que em Salvador, cidade onde eu nasci, apesar de mais de cinquenta por cento da população ser negra, ainda é possível ser a única negra no restaurante, na aula de ballet, na sala de espera de consultório chique, na sala dos professores da escola particular. Fico especialmente triste quando eu percebo que muita gente passa a vida inteira sem nem se dar conta dessas coisas, achando super normal que outros tenham a vida mais difícil que a sua baseado em um detalhe que não se pode escolher, como gênero, cor da pele, origem. Infelizmente, em nosso país tem gente que acha que quem sofre discriminação deve sofrer calado, sem questionar nada, sem exigir mudanças. Deixa quieto que assim tá bom. Pra alguns.



Hoje em dia quando volto ao Brasil e alguém me pergunta como lido com o racismo aqui, minha resposta passou a ser "muito melhor do que eu lido com ele no Brasil". Aqui se entende que discutir e questionar os preconceitos é trocar idéias e evoluir, já em meu país quem é engajado em alguma causa tem sempre de primeiro explicar que não é nem paranóico nem radical. É triste, mas na verdade sabem como é que eu lido mesmo com o racismo aqui? Guardando minhas forças pra enfrentar ele quando chego em meu país.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O direito de ser perua. Ou não.

Logo que cheguei lá na Alemanha há dez anos, percebi que era muito difícil ser  a mesma mulher que eu sempre fui aqui. A minha maior dificuldade era com meus ataques de peruice. É que apesar de eu estar longe de ser uma perua de verdade (eu sou do tipo que vai pra rua de bob no cabelo se for preciso), eu definitivamente tenho meus momentos de liberar a diva que existe em mim. E ela é um espetáculo! Se amarra na cor rosa, bolsas, olho pintadão, gliter, esmalte de cor berrante e batom vermelho hemorragia. A minha perua, sempre esteve lá desde que eu era pequena e por mais que eu queira culpar meus pais por isso – afinal de contas eles foram meus primeiros modelos de gênero - sei que não ia colar. Eu explico porque não.

Minha mãe sempre foi uma mulher vaidosa, mas sem exageros. Sempre cuidou de si mesma sem ser escrava de modelos impostos pela mídia e sociedade. Parece discurso cliché, mas não é. Minha mãe saiu de uma cidadezinha do interior da Bahia aos 16 anos de idade pra tentar a vida na capital porque queria ganhar dinheiro e melhorar de vida. Conseguiu isso trabalhando em uma oficina mecânica onde também adquiriu experiência e conhecimento necessários para mais tarde abrir a sua própria. A oficina dela era especializada em vender peças e consertar, não carrinhos delicados e sim os motores diesel de veículos carga pesada como caminhões e tratores. Na época em que as mulheres de sua cidade se chocavam ao ver uma mulher dirigir, minha mãe chegava lá atrás do volante de uma caminhonete F1000. Foi ela quem me deu dois de meus brinquedos favoritos: uma boneca Barbie noiva e uma miniatura de escavadeira Caterpillar, presente do fabricante por ela ser a primeira oficina autorizada deles na Bahia. Pra mim, minha mãe é um dos melhores exemplos de emancipação feminina do mundo.

Meu pai, por sua vez, se interessava por roupas, fazia as unhas, limpeza de pele e cuidava do cabelo num tempo em que nem se sonhava falar de metrosexualismo. Ou seja, por puro acidente do destino, cresci em um ambiente no qual os esterótipos de gênero não encontravam muito reforço. Digo que foi por acidente, porque meus pais vieram de famílias simples e não tiveram aceso a meios altamente intelectualizados. Eles estavam me fazendo um grande favor e nem sabiam. Apesar da pouca escolaridade de meus pais, eles me educaram de uma forma que alimentava minha auto-confiança enquanto menina, me moldaram para que eu crescesse com a certeza de que poderia ser dona de casa ou austronauta se eu assim desejasse e sempre me certificaram de que minhas escolhas de vida não deveriam ser limitadas pelo meu gênero. Acho que por isso nunca tive problemas com minha perua interior, que era dominante quando eu era criança, mas que foi ficando mais discreta com o passar dos anos. Nunca necessariamente me envergonhei nem me orgulhei dela. Ela sempre foi parte de mim, só isso. Bem natural.

Mas aí veio a Alemanha. Lá as mulheres são super fortes e emancipadas. Ser feminista é praticamente um imperativo para elas e eu as admiro muito por isso. Mas como às vezes acontece na Alemanha, boas idéias muitas vezes tem um gostinho amargo devido aos exageros e à tendência de muitos a julgar precipitadamente. Um grande número de mulheres alemães são tão convencidas de que encontraram a fórmula perfeita de ser mulher que acabam se comportando de forma desrespeitosa com outras companheiras. A perua que existe em mim, por exemplo, demorou muito até se sentir à vontade pra aparecer naquele ambiente.

A impressão que eu tenho é que quanto mais alto o círculo intelectual, maior preconceito uma mulher vaidosa vai encontrar em terras germânicas. Quando eu dava aula em Hemelingen, em uma escola pra adolescentes e jovens adultos em situação de risco, as meninas e mulheres se vestiam na moda, usavam maquiagem, pintavam as unhas e observavam nas roupas e cabelos umas das outras. Não raro eu também era alvo dessa observação, e assim como acontece no Brasil, elas me perguntavam onde eu tinha comprado meu casaco, elogiavam minhas botas etc.

Já na universidade o que imperava era a praticidade. Quase todas as professoras tinham cabelo curto, quase nenhuma tinha unhas longas ou pintadas, nenhuma usava salto alto e a maquiagem era quase imperceptível. Esse assunto também era meio tabu e quem se interessava por isso era imediatamente tachada de fútil e escrava da sociedade machista. Uma vez causei o maior rebu sem querer em uma aula porque revelei que quando criança eu era uma garota cor-de-rosa e que meus pais nem ligavam para isso. A galera discutiu, se enfureceu, questionaram os valores da cultura sul-americana patriarcal, machista. Eu só ouvindo, até ter uma chance de acrescentar um dado importante; toda essa estória que eu contei pra vocês aqui no post de como meus pais na verdade eram bem à frente de seu tempo nesse sentido. A maioria ficou morta de vergonha, mas muitos ainda inconformados, procuravam formas de justificar suas opiniões sem ter de admitir o óbvio: que seus preconceitos os levaram a julgar precipitadamente. Tenho certeza que as reações a minha estória foram um pouco mais enfáticas pelo fato de eu ser estrangeira. Uma mulher sul americana  não correspondendo aos clichés de mulherzinha fútil e submissa apesar do visual fechativo para muitos é o fim.
A moral da estória pra mim é a seguinte: ao contrário do que a opinião geral espera e prefere ouvir, nem toda turca é submissa e reprimida porque usa um lenço que cobre os cabelos. Nem toda brasileira é escrava de uma sociedade machista porque se enfeita toda feito pavão e nem toda alemã é emancipada porque tem cabelo curto e usa roupas práticas.O importante é ter a liberdade de sermos a mulher que quisermos ser. Usando as sábias palavras da fantástica atriz Annette Bening "a coisa mais maravilhosa que eu sinto que posso dar a minha filha são escolhas." E aos filhos também, né? E você nem imaginam o quanto eu  sou feliz de saber que sou uma mulher com muitas, mas muitas escolhas mesmo.

Desejo a todas as pessoas que leem esse blog, um dia cheio de possibilidades, escolhas próprias e encontros livres de idéias estereotipadas. Sejam quem quiserem ser e respeitem o direito do outro de fazer o mesmo. A todos vocês, Feliz dia das mulheres!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ai meu Deus - Religião

Todos os meios de comunicação aqui no Brasil no momento só querem falar do Papa Bento XVI. Isso me faz lembrar que há uns cinco anos eu e meu marido fomos excomungados da igreja católica. Mas calma, não nos associamos com o chifrudo, não – bate na madeira, lá ele. A estória, bem babaca na verdade, foi a seguinte.

Nós dois, canguinhas que só, decidimos que não estávamos mais a fim de pagar dízimo. Na Alemanha um imposto de até 9% é descontado de sua renda mensal para sua igreja. Percorremos todo caminho burocrático para nos desafiliar e ficamos pasmos quando, ao final do processo, ele recebeu uma carta da igreja da Polônia onde ele foi batizado, dizendo que era com profunda tristeza que eles concluiam o processo de seu desligamento da igreja católica. Na mesma carta eles ainda listavam todos os privilégios de ordem prática e espiritual que ele estaria perdendo e queriam saber por A mais B se ele estava realmente certo de sua decisão. A carta termina informando que ainda haveria uma possibilidade dele desistir de ser excomungado, de se arrepender e retornar à igreja.

A carta foi tão enfática e convincente que por pouco não desistimos do processo. Ficamos nos questionando se talvéz não fosse melhor mudar de idéia, vai que o juízo final realmente acontece, que dúvida cruel. Resolvemos esperar minha carta chegar pra tomar a decisão. Hoje já são quase cinco anos depois e começo a achar que das duas uma: ou minha carta foi extraviada ou, ao contrário da igreja católica na Polônia, a do Brasil não está nem aí pro que vai acontecer com meu imposto, que dirá com meu espírito depois do armagedom.

Uma parte de mim ficou indignada, como um filho que descobre que o seu irmão mais novo é o favorito dos pais. Mas a outra parte compreendeu na hora o que meu marido chama da "leveza religiosa do Brasil". É como se o Brasil dissesse: "Não quer ser católico? Que pena ou que bom - você escolhe." Poder ter essa liberdade também é muito bom.

Na minha opinão, quando episódios de intolerância religiosa no Brasil se manifestam, eles surgem das cabeças limitadas de certos indivíduos e não do estado. Muito pelo contrário, nossa constituição assegura a igualdade e liberdade religiosas e preve penas pra quem desrespeita isso. Ano passado, uns turistas alemães que estavam aqui em casa, me chamaram atenção para uns informes de utilidade pública que de vez em quando se via aqui na TV. Nesses informes, líderes de comunidades religiosas diferentes explicavam um pouco de suas doutrinas. Até agora já ví do budismo, judaísmo, islamismo e xintoísmo, mas sei que existem muitos outros. Os alemães que viram isso ficaram fascinados. Acharam interessante também o nome de um bairro aqui de Salvador - "Jardim de Alah" - e ficaram de queixo caído com o que eu lhes expliquei sobre o sincretismo religioso, que faz parte de nossa cultura. Aqui em Salvador, além do Jardim de Alah, os visitantes podem também encontrar um "Terreiro de Jesus". Isso tudo é meio difícil de imaginar na Alemanha. 

A Alemanha é, na sua grande maioria, protestante no norte e católica no sul. No entanto, existe uma série de outras religiões sendo praticadas por lá também. Até onde eu sei, o governo diz que não se mistura com religião, mas também não se assume estritamente laico e na prática vive discutindo o assunto e criando medidas contra certas práticas religiosas. E é aí onde está o xis da questão.

O que eu acho que é bem tranquilo na Alemanha é admitir que se é ateu ou agnóstico. Lá ninguém se choca quando uma pessoa diz algo assim. Aqui esse tema é meio complicado, tem muita gente que fica inconformada, tentando mudar a opinião do outro se ele revela uma coisa dessas. Mas voltando à Alemanha, lá além de protestantes e católicos, existem também mulçumanos, judeus e outras minorias religiosas. A constituição alemã também assegura o direito de liberdade religiosa, mas todo mundo sabe que a maravilhosa equidade das constituições nem sempre pode ser traduzida de forma tranquila pra vida prática. Na realidade, o que se observa no terreno religioso na Alemanha, é que parece que tudo que vem do islamismo incomoda todo mundo.

Em torno deles tudo vira uma interminável discussão, que se revela um poderoso sonífero para uma pessoa que como eu, não dá a mínima pra religião nenhuma. Mas brincadeiras à parte tudo no islamismo gera polêmica na Alemanha. Desde a construção de novas mesquitas à mulheres que usam lenço ou burca. Aí todos os argumentos de liberdade religiosa da Alemanha acabam caindo por terra. Nesse sentido, o Brasil está longe de ser o paraíso da tolerância religiosa, mas em comparação, acho que estamos melhor na fita. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Gangnam Style

Passei um fim de semana na casa de uma tia e um de meus priminhos pequenos estava fascinada por o cantor coreano Psy. Perdi as contas de quantas vezes tive de ouvir Gangam Style naquele fim de semana. O resultado foi que eu fiquei com a música repetindo em minha cabeça e acho que por isso acabei atraíndo mil coisas relacionadas a ela. Aí vieram notícias sobre Psy durante o Carnaval e um monte de asneira que eu na verdade não estava nem um pouco interessada em saber. No entanto no meio de um bocado de baboseira do Facebook, uma delas me agradou. Essas duas meninas que fizeram um versão de Gangam Style que dá pra ouvir até como cantiga de ninar. Adorei! Que pena que meu priminho estava obsecado pela versão original e não por essa.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Plumr Double Impact

Eu muitas vezes me divirto mais com os comerciais do que com os programas de TV. Adoro comerciais criativos e engraçados. Sabendo disso, meu amor de vez em quando me manda uns links que ele descobre por aí. Não sei quem criou esse aí, mas adorei a idéia. A voz de Barry White do narrador e a cara de sexy da atriz me fazem rir sozinha só de lembrar.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dois mundos de felicidade

O prédio do parlamento/câmara dos vereadores de Bremen
Pra quem ainda não sabe, eu vivo entre dois mundos. Entre duas cidades de dois continentes. Bremen e Salvador. Amo as duas com a mesma intensidade por motivos diferentes e sou muito grata por poder viver essa experiência. Dividir a vida entre dois países não é muito fácil, mas ao mesmo tempo é muito interessante. Não vou poder reclamar de tédio nunca. No início eu era simplesmente fascinada pelas coisas novas que descobria em Bremen. Hoje em dia eu me fascino não só por isso, como também com a constante redescoberta de minha casa, de minha cidade, de meu país.

Atrás do Farol da Barra em Salvador
Eu normalmente volto ao Brasil uma vez por ano e fico um pouco mais do que outros expatriados se permitem ficar nessas voltas à casa. Por isso acabo tendo uma visão de Salvador, não de turista na própria casa e sim de alguém que está voltando, que tem dia-à dia e coisas pra fazer apesar de estar de "férias". Eu adoro isso. Sinto como se eu tivesse recebido um presente. Uma situação de vida que me permite estar sempre deslumbrada, sempre descobrindo coisas novas, nunca me permitindo viver no automático, sem prestar atenção às coisas que vejo. Resumindo, eu deixo de ter a possibilidade de viver ao lado das pessoas que eu amo sempre, mas ganho em troca um olhar sempre vivo diante da vida. Isso sem contar que minhas muitas despedidas e retornos me oferecem muitas demonstrações de carinho de meus amigos e família sempre. Como isso me faz feliz.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Baianidade

Tenho recebido vários videos hilários de amigos diferentes sobre os mais variados temas. Nem sempre dou conta de ver e comentar todos, mas sempre que acho um tempinho, começo a assistir e como se diz em Salvador, me poco de dar risada. Como rir é bom, decidi que de agora em diante vou começar a compartilhar os meus favoritos aqui no blog para todos que, assim como eu, curtem um bom besteirol. É uma boa forma de movimentar isso aqui entre uma crônica e outra.

Recebi o video de hoje de uma amiga maravilhosa que apesar de longe, sempre se faz presente. Anginha, muito obrigada, por mais uma vez arrancar risadas minhas. Assistam se quiserem se sentir em Salvador.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Assis Valente passou por isso...

Então o mundo não se acabou, né. Essas profecias que não se realizam causam o maior desgaste emocional, viu... Assis Valente passou por um vexame parecido no final dos anos 30. Versão moderninha do desastre que não aconteceu, cantada por Paula Toller.

O Mundo Não Se Acabou (Assis Valente)


Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fim

Confesso que estava ansiosa pela chegada do fim do mundo. Vivi intensamente, não me arrependo de quase nada e estou basicamente feliz com minha vida em geral. Quando o mundo acabar hoje, vou partir com um sentimento leve e tranquilo, minha única preocupação vai ser com alguma besteira do tipo, ter uma frase de impacto pra dizer na hora. Pra que nem sei, o mundo vai acabar mesmo. É só que eu gosto dessas coisas.

No entanto, até ontem eu estava cheia de questionamentos sobre esse tal fim do mundo. Primeiro eu queria saber se existia uma forma de ter certeza se os antigos Maias estavam realmente se referindo ao final dos tempos e não falando do fim do mundo tipo um lugar longe como a porra. Sei que é bobagem, mas imaginem aí? Todo mundo se preocupando com o fim dos tempos quando na verdade tudo que o cara queria dizer era simplesmente que iríamos finalmente chegar a um lugar. O fim de uma viagem longa pra lugar super distante, pro fim de mundo. Tipo a viagem que se faz em Salvador do Comércio até o Itaigara com o Mirante de Periperi. Mas logo, logo entendi que se tratava de um calendário, então era obviamente o fim dos tempos mesmo. Me poupe viu, Cris...

Mas então tá. É do apocalipse mesmo que estamos falando. Mas ainda me restava entender se era um evento pro dia inteiro ou se tinha uma hora específica pra acontecer. Se tivesse uma hora específica, onde aconteceria primeiro? Se tivesse uma espécie de plano do fim do mundo, estava listado em que site pra eu acompanhar? Bem, todas as respostas que eu precisava me vieram em um sonho e por isso acordei tranquila pra curtir o último dia da humanidade numa boa.

Obviamente o mundo vai acabar as 21 horas e 21 minutos de hoje, horário da Alemanha. Esse horário é simplesmente perfeito pro fim do mundo e fim de papo. Vai ser no horário alemão e por isso vai acontecer aqui primeiro. E vai ser assim porque a Alemanha é famosa por sua organização e pontualidade. O mundo vai acabar aqui no dia e hora marcada e sem bla, bla bla. Eu sugiro a todos que acertem seus relógios com o horário de Berlim e se o fim não chegar exatamente às 21:21 do dia de hoje, podem acabar com o mundo vocês mesmos. A Alemanha nunca se engana e com certeza o apocalipse aqui vai acontecer de forma ordeira, controlada e sem histeria. 

Situações caóticas do tipo gente perdida e desesperada correndo pela rua, coisas caindo do céu, pessoas sem saber se acaba ou não acaba, sendo pegas de surpresa por um terrível apagão em pleno engarrafamento, as operadoras de celular sobrecarregadas e ninguém conseguindo completar suas ligações são típicas de fim de mundo em outros lugares, mas aqui não. Pensando bem, esse cenário que eu acabei de descrever me lembra alguns momentos que eu já vivi em Salvador. Será que o mundo já acabou na capital baiana faz muito tempo em niguém soube de nada? Vou procurar saber e se o mundo ainda existir, amanhã eu conto.


Um excelente fim de mundo pra todos vocês!





 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Virando alemã - Parte II Nome Sujo

Onde eu estava mesmo? Ah tá, eu estava sentada na frente de uma funcionária bem sisuda no departamento de naturalização, tendo uma insana discussão sobre acentos. Quem ainda não sabe como essa estória começou, pode ler a primeira parte da estória aqui. Depois de ter mostrado minha certidão de casamento na tentativa de convencê-la de que meu nome nunca tinha sido escrito com um acento a tal funcionária insistiu que não poderia consertar meu nome e pronto e o motivo foi inacreditável.

Algum inseto alado (que deus o tenha) encontrou seu final trágico, provavelmente esmagado pelo peso de algum livro ou coisa semelhante (a exata causa mortis nunca será esclarecida) bem em cima de minha certidão de casamento. Em seus últimos momentos de vida, o pobre coitado teve parte de seu corpo arrancada. Onde ele foi parar, nunca saberei, mas um fragmento do que uma dia tinha sido sua asinha ficou alí, colado em meu documento e se alguém quisesse muito, poderia confundi-la com um acento. E parece que funcionária que me atendeu queria.

Insisti "isso é uma mancha" ao que a sisuda funcionária retrucou "é um acento". Depois de vários "é claramente uma mancha", "não, é óbviamente um acento",  o poder da autoridade venceu. Recebi um papel com uma série de instruções burocráticas que deveria seguir para ter meu nome corrigido, uma cópia da constituição alemã, um sorriso forçado porém aberto demais e um aperto de mão demasiadamente firme, acompanhado da seguinte frase :"Com isso te declaro cidadã alemã. Parabéns." Depois disso, a funcionária, que eu vou passar a chamar de Gretel pra facilitar, me estendeu o certificado com meu nome sujo e me deu um olhar que queria dizer "ok, este atendimento está encerrado. Por favor se retire pra que eu possa tomar meu café em paz".

Saindo dali, percebi que o tempo todo estava fazendo um esforço enorme para conter o riso diante do ridículo da situação inteira. Os motivos que Gretel achou pra se recusar a corrigir meu nome foram realmente surreais e pra mim foi como uma verdadeira comédia de erros. Fale sério: primeiro ela se recusa a corrigir meu nome porque existem acentos agudos pelo mundo. Depois porque o mesmo acento que eu estava me negando a aceitar constava no nome da cidade na qual meu marido nasceu e finalmente porque confundiu sujeira com acento. Na moral, essas coisas só acontecem comigo. Na saga kafkaniana que se seguiu até que eu conseguisse limpar meu nome, TODOS os funcionários para os quais tive de explicar minha situação deram muita risada às minhas custas e no final da saga uma delas me disse que Gretel foi uma filha da mãe por não ter corrigido minha certidão logo de cara. E disse mesmo "Minha colega foi bem intransigente, hein? Se eu tivesse lhe atendido teria corrigido. Uma coisa dessas se faz em menos de cinco minutos".

Bem, deixa pra lá. Vai ver que Gretel no fundo sabia que eu tenho um blog e que adoro contar estórias. O final desta, pelo menos é feliz. Voltei a ser Cristiane sem h, sem acento e sem inseto. De nome limpo, brasileira, baiana, soterolopolitana e ainda posso acrescentar, cidadã alemã de Bremen.

Meu kit alemã: caneca de cerveja (BierMass), camisa da seleção e meu novo passaporte.