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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Lidando com o racismo – de outra forma

Um dia, recebi uma ligação de Lubi perguntando se eu estava com tempo. "Sim, claro. Pode falar" e ele começou a me contar uma estória longa que a princípio eu não sabia bem onde ia chegar. Contou que lá no instituto onde ele trabalha, tem uma atividade chamada "Cinema Comentado". Nessa atividade, os jovens assistem um filme e depois discutem sobre os temas abordados. O filme escolhido pela equipe de educadores tinha sido "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers) de Richard LaGravenese. Como eu até então ainda não conhecia o filme, ele prossegiu me dando um resumo do que se tratava.



O filme não é nenhuma super produção cinematográfica, mas impressiona por ser um estória surpreendente, baseada em fatos reais. Ele mostra uma professora jovem, recém-formada e bastante idealista, que vai trabalhar em uma escola multicultural na Califórnia em uma época (1992) em que os Estados Unidos estavam fervendo com conflitos raciais. Os alunos de sua turma, são (em sua grande maioria) adolescentes em situação de risco que só concordam um com os outros em duas coisas: primeiro, que todos os outros são inimigos e segundo que a escola é uma merda. Nesse cenário pra lá de hostil pra qualquer processo educacional, ela consegue ajudar esses jovens a mudar de atitude a ponto de virarem escritores.



Não queria mais contar tanto sobre o filme, porque acho que vocês deveriam assistir. É fantástico e inesquecível. É um desses que antes de começar a ver, a gente tem de ter certeza de que se tem muuuuuito lenço de papel por perto. Mas pra que eu possa explicar como essa experiência foi especial pra mim, tenho de contar um pouquinho mais sobre a história do filme, então quem não quiser ter o fator surpresa estragado, pare de ler agora . O que vem a seguir são spoilers.


Os jovens, no filme, são estimulados a ler um livro cuja história se passa bem distante da realidade deles, tanto no tempo, quanto geograficamente falando. No entanto, por também se tratar de uma história verídica, ela de certa forma se relaciona muito com a deles. Eles,  então escrevem cartas para uma personagem fundamental da estória e conseguem fazer com que sejam recebidas e lidas. Como se isso não fosse o bastante, conseguem trazê-la para uma conversa com eles.


Lubis me explicava tudo isso ao telefone e eu só no "ahãn", "sério?" "nossa" "que bacana" sem compreender direito onde ele queria chegar. Até que ele finalmente chega: "Então, nós levamos seu texto "Lidando com o racismo" pra ler e debater com os meninos lá no instituto". Isso gerou GEROU uma série de discussões sobre o tema e aí surgiu a idéia de replicar com eles o ocorrido no filme. 

O que aconteceu depois foi simplesmente inacreditável.
 

Recebi mais ou menos 50 cartas à moda antiga, escritas com caneta e papel, com direito a envelopinhos coloridos, adesivinhos, coraçõeszinhos e floreszinhas desenhadas. Me emocionei. Isso é raro de se ver hoje em dia.
Como se isso já não fosse honra bastante, fui convidada a ir lá, conversar com eles. E o que aconteceu naquele dia, foi muito tocante. Tanto que vou precisar de mais um post pra contar pra vocês tudo que me marcou naquele dia.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Instituto João Carlos Paes Mendonça

Eu tenho a sorte de ser muito amiga de um cara chamado Eduardo Lubisco. Lubi, como ele é carinhosamente conhecido por muitos, além de professor de inglês, é um educador fora de série. Por ser uma pessoa extremanente sensível e preocupada com as questões sociais de nosso tempo, ele está sempre engajado em alguma causa e contribuindo de sua forma, para melhorar o mundo a seu redor. Sabe quando a gente diz assim: "as pessoas deveriam falar menos e agir mais"? Pois é, ele é uma dessas pessoas que agem.

Há mais ou menos dois anos ele trabalha no Instituto JCPM. Até bem recentemente, eu não fazia a menor idéia que esse projeto existia. Aposto que muitos de vocês também não, né? Deixa eu contar do que se trata porque é uma dessas coisas que vale a pena conhecer. O grupo JCPM (responsável por empreendimentos imobiliários e shopping centers espalhados por todo o Brasil) mantém um instituto de compromisso social em áreas carentes próximas a seus empreendimentos em todas as cidades onde se estabelecem. Aqui em Salvador, por exemplo, o Instituto JCPM funciona no Shopping Salvador e atende jovens entre 16 e 24 anos, que sejam moradores ou que frequentem ou tenham frequentado escola pública nos bairros de Pernambués e Saramandaia.

Lá nesse instituto, eles tem aulas de matemática, português, inglês e informática além de treinamento e auxílio para ingressar no mercado de trabalho. Dia 19 de novembro eu estive lá pela primeira vez e foi um dia que vai ficar pra sempre marcado em minha memória e meu coração. Querem saber por quê? Aguardem o próximo post...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Efeito dominó da educação

Semana passada eu declarei aqui meu amor por minha cidade e revelei o quanto tenho estado triste com as cenas de descaso que venho encontrando por aí. Esta semana vou falar de outra coisa negativa que tem chamado minha atenção no meu retorno à Salvador. A crescente falta de educação do soteropolitano.

Antes de eu começar, deixa eu esclarecer uma coisa. Pra quem ainda não sabe, eu vou repetir algo que não canso de dizer: Eu amo Salvador. Uma cidade não é composta apenas de suas belezas naturais e arquitetônicas. Boa parte do que faz uma cidade ser o que é, são seus habitantes, então eu adoro meus conterrâneos também. Nós soteropolitanos, temos um jeito de falar gostoso, somos muito engraçados, muitas vezes até sem querer. Somos barulhentos, criativos, cheios de charme e cheios de vida. Somos carinhosos e temos formas bem peculiares de demonstrar nosso afeto e senso de humor através de nosso dialeto. Enfim, o soteropolitano é show e eu adoro fazer parte desse grupo. O que eu não gosto é de perceber que nossas boas qualidades tem ficado cada vez mais guardadinhas num cantinho bem secreto e nosso lado sombra anda a solta pela cidade.

Tenho ficado chocada com as cenas de mais pura rudeza com as quais tenho me deparado por Salvador. Outro dia fui ao banco com minha mãe, que tem necessidades especiais. A fila preferencial estava longa, mas tinha cadeiras suficientes para todos. Quer dizer, teria se uma senhora não estivesse sentada em duas cadeiras. Infelizmente idade avançada não isenta a pessoa da falta de educação e a tal senhora não só se recusou a se sentar em uma cadeira apenas, como começou uma briga com quem questionou sua atitude.

Tinha ido em uma loja que ficava em uma rua sem saída. Quem estaciona na frente dessa loja tem de sair de ré, porque a rua é apertada e não há espaço suficiente para fazer manobras. Até aí tudo bem, nessa rua só tem essa loja mesmo e quem vai lá sabe disso. O único problema é quando o cara do carro da frente se recusa a entender que para ele sair mais rápido, o mais lógico é esperar que o carro que está atrás dele saia primeiro. Estavamos todos lá, uma fila de carros, tentando sair ordeiramente, respeitando o princípio primeiro o que está mais próximo da saída e assim sucessivamente, quando o apressadinho da minha frente, decide que a necessidade dele de sair daquele lugar é maior do que a todas as outras pessoas e vai saindo simultaneamente, criando assim uma fila dupla apertadíssima e inúmeras situações de susto, raiva e aperto pros outros motoristas. Fiquei sem palavras, ao que minha mãe me relembra, "Melhor ficar sem palavras mesmo. Hoje em dia as pessoas sacam armas e atiram nas outras por qualquer desentendimentozinho no trânsito". Lamentável, mas verdade.

Faz três semanas que eu estou de volta e nesse pouquíssimo tempo já presenciei dezenas de situações de indelicadeza que fizeram meus cabelos arrepiarem. É um festival de pessoas jogando latinha de cerveja pela janela do carro em movimento, correndo com o carrinho de supermercado cortando pessoas e atropelando quem vem pela frente pra chegar antes na fila, se aproveitando que alguém está segurando a porta da loja aberta e entrando rapidinho sem nem olhar pra cara da pessoa que segurou a porta ou dizer um obrigado. A lista da falta de consideração com o próximo é imensa e me enche de tristeza e vergonha alheia. Aliás, nem sei se posso chamar de vergonha alheia, já que eu faço parte desta cidade.

Resolvi me tornar uma pessoa extremamente atenta. Estou fazendo questão de ser ainda mais cordial, paciente e sensível no meu trato com as pessoas que encontro por aí, na esperança de que minha atitude crie uma espécie de efeito dominó e talvéz quem sabe um dia, uma mudança de atitude nessa cidade.

Mas aí deve ter gente que vai pensar "Quem ela pensa que é pra achar que vai mudar uma cidade?" Né bem por aí, não viu galera. Eu sei que eu sou apenas uma pessoa bem normal. Mas é que eu acredito que todas nós pessoas normais temos o poder de mudar o mundo de pouquinho em pouquinho em pequenos gestos nada fora do comum. O que eu vou dizer agora é bem cliché, mas como a gente tende a esquecer não custa nada repetir. Se eu conseguir ser gentil com uma pessoa que eu encontrar no meu dia, pode ser que essa pessoa trate o próximo que encontrar da mesma forma, afinal gentileza é bom e todo mundo gosta não é mesmo? Imagine aí: eu sou gentil com você, que é gentil com seu vizinho, que é gentil com a vendedora da loja e assim por diante até que essa onda de gentileza se espalhe pela cidade inteira. Impossível? Né nada! eu começo daqui, você começa daí e a gente vê.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Pra quem ama Salvador

Quem me conhece sabe que eu amo minha Salvador, minha cidade. Não é amor cego. É amor consciente mesmo. Eu a conheço bem e sei de suas qualidades e seus defeitos. Sou apaixonada por minha cidade e ainda consigo me emocionar quando retorno à meus lugares favoritos. A descida da Contorno e o Solar do Unhão são dois entre tantos. Não canso de dizer: Salvador é linda e emocionante.

Mas nem sempre as emoções que minha cidade do coração me proporcionam são do bem. Infelizmente muitas vezes ao chegar à Salvador, ao invés de ser lembrada das inúmeras histórias que me fazem rir e sorrir neste lugar, o que eu vejo são cenas tristes que deixam claro o quanto esta cidade está abandonada, entregue à própria sorte e porque não dizer, mal amada mesmo.

Ao andar pela cidade, somente uma palavra me vem à mente: abandono. Salvador está abandonada, mal cuidada, esquecida. São inúmeras praças que ninguém frequenta, parques dominados por assaltantes e usuários de crack. Tem muitas ruas desertas, sem iluminação. Muitas calçadas quebradas e pistas esburacadas. A cidade é cheia de beleza mal aproveitada, desperdiçada. A orla é um bom exemplo disso. Nunca vi tanto potencial tão mal aproveitado. A orla dos meus sonhos teria boa iluminação e por isso seria bem movimentada de dia e de noite. Teria a melhor cena noturna de Salvador, com barzinhos e boates para todos os gostos. Teria um calçadão amplo e bem cuidado. Teria policiamento, salva-vidas e sinalização em toda sua extensão.

Essa seria a orla de meus sonhos. Mas infelizmente a realidade está bem distante disso. Hoje pela manhã fui fazer uma caminhada por lá e fiquei triste ao ver a areia da praia cheia de lixo, os urubus fazendo a festa. À noite nem sei, porque já que tenho muito o que perder, não ando dando bobeira por lá. As imagens que vejo na cidade, não só na orla, me enchem de vergonha, às vezes me dão até vontade de chorar, não só de tristeza, de frustração também.

Entra prefeito e sai prefeito e a cidade fica cada vez mais triste. Mas eu sei que o problema da falta de cuidado e abandono de Salvador não é só dos prefeitos. É nosso também. E os soteropolitanos, na minha opinião tem se mostrado péssimos cidadãos. A praia que eu vi cheia de lixo estava assim não só por falta de coleta adequada, como também porque alguém jogou aquele lixo em algum lugar que não devia. A falta de amor dos soteropolitanos com Salvador não para por aí. Além de emporcalhar a cidade, a pessoas picham os monumentos, roubam as estátuas e as lâmpadas dos locais públicos, andam com seus cachorros nas praças e não recolhem as fezes dos bichos e por aí vai.

A conservação dos espaços públicos segue uma lógica interessante. Quanto menos conservado um local for, menos comprometidas as pessoas se sentem com ele. E quanto menor o compromentimento das pessoas com um lugar, maior a predisposição delas para quebrar, destruir e nem se importarem se outra pessoa fizer o mesmo. É um ciclo horroso que foi inclusive testado e comprovado por diversos cientistas. (Zimbardo 1969 e Wilson e Kelling, 1982)

Ciclos como esses, no entanto, podem e devem ser quebrados ou melhor ainda, substituídos por outros mais positivos. Pode-se começar pequeno, devagarzinho, simplesmente não jogando lixo por aí. Quer jogar alguma coisa fora? Procure uma lixeira, ou guarde o papel na bolsa até achar uma. Eu por exemplo ando com um saquinho na bolsa. Cansou de carregar lixo consigo? Vamos exigir da prefeitura mais lixeiras pelas cidade, coletas mais eficientes, explicações sobre como estão investindo o dinheiro de nossos impostos. Mas só dá pra fazer isso se a gente fizer nossa parte, né? Isso é cuidar da nossa casa, de nossa cidade. Você gosta de Salvador? Então demonstre.

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P.S. Em 1969 o time de pesquisa do professor Phillip G. Zimbardo da universidade de Standford nos Estados Unidos, abandonou dois automóveis idênticos e em bom estado em duas cidades com populações bem diferentes. Um foi largado no Bronx em Nova Iorque e o outro em Palo Alto na California. Em questão de horas depois de ser abandonado, o carro do Bronx ja começou a ser saqueado. Durante semanas o carro de Palo Alto permaneceu intacto. 

Teóricos conservadores se deleitaram porque puderam dizer com base científica que quanto mais pobre a região, maior a predisposição ao vandalismo. Só que aí professor Zimbardo foi lá e deu umas marretadas no carro de Palo Alto. O resultado foi que no mesmo dia pessoas (brancas de classe média, diga-se de passagem) começaram a fazer o mesmo que o pessoal do Bronx. Este experimento foi repetido por outros psicólogos, sociólogos e criminalistas, todos mostrando resultados semelhantes. Até que os sociólogos James Q. Wilson e e George L. Kelling lançaram a Teoria das Janelas Quebradas em 1982 que resumidamente diz que quanto mais descuidado um local for, maior a probabilidade da ação de vândalos. Quando o descuido de uma região acaba "expulsando" o cidadão comum, com o tempo ele passa a ser ocupado por desordeiros. Muito interessante, vale à pena ler.:

KELLING, George; COLES, Catherine M. Fixing Broken Windows: Restoring Order and Reducing Crime in Our Communities. New York: Free Press, 2003.

Zimbardo, P. G., (1969). The human choice: Individuation, reason, and order versus deindividuation, impulse, and chaos. Nebraska Symposium on Motivation, 17, 237-307.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dois mundos de felicidade

O prédio do parlamento/câmara dos vereadores de Bremen
Pra quem ainda não sabe, eu vivo entre dois mundos. Entre duas cidades de dois continentes. Bremen e Salvador. Amo as duas com a mesma intensidade por motivos diferentes e sou muito grata por poder viver essa experiência. Dividir a vida entre dois países não é muito fácil, mas ao mesmo tempo é muito interessante. Não vou poder reclamar de tédio nunca. No início eu era simplesmente fascinada pelas coisas novas que descobria em Bremen. Hoje em dia eu me fascino não só por isso, como também com a constante redescoberta de minha casa, de minha cidade, de meu país.

Atrás do Farol da Barra em Salvador
Eu normalmente volto ao Brasil uma vez por ano e fico um pouco mais do que outros expatriados se permitem ficar nessas voltas à casa. Por isso acabo tendo uma visão de Salvador, não de turista na própria casa e sim de alguém que está voltando, que tem dia-à dia e coisas pra fazer apesar de estar de "férias". Eu adoro isso. Sinto como se eu tivesse recebido um presente. Uma situação de vida que me permite estar sempre deslumbrada, sempre descobrindo coisas novas, nunca me permitindo viver no automático, sem prestar atenção às coisas que vejo. Resumindo, eu deixo de ter a possibilidade de viver ao lado das pessoas que eu amo sempre, mas ganho em troca um olhar sempre vivo diante da vida. Isso sem contar que minhas muitas despedidas e retornos me oferecem muitas demonstrações de carinho de meus amigos e família sempre. Como isso me faz feliz.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Baianidade

Tenho recebido vários videos hilários de amigos diferentes sobre os mais variados temas. Nem sempre dou conta de ver e comentar todos, mas sempre que acho um tempinho, começo a assistir e como se diz em Salvador, me poco de dar risada. Como rir é bom, decidi que de agora em diante vou começar a compartilhar os meus favoritos aqui no blog para todos que, assim como eu, curtem um bom besteirol. É uma boa forma de movimentar isso aqui entre uma crônica e outra.

Recebi o video de hoje de uma amiga maravilhosa que apesar de longe, sempre se faz presente. Anginha, muito obrigada, por mais uma vez arrancar risadas minhas. Assistam se quiserem se sentir em Salvador.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sítio do Conde

Quando eu achava que já conhecia praticamente todos os vilarejos de praia ao longo da linha verde, meu marido me pergunta se eu já tinha ido ao Sítio do Conde. Ao ouvir minha resposta negativa ele veio logo me mostrar o que tinha descoberto sobre o lugar através de uma pesquisa na internet. Depois de de ver as fotos, foi fácil decidir que a gente tinha de ir lá.

O Sítio do Conde é um vilarejo minúsculo que fica dentro de outra cidade pequena chamada Conde, já perto da divisa Bahia-Sergipe. Em Sítio do Conde os restaurantes ficam abertos até às 20:00h e a única pizzaria até às 21:00 portanto, nem chegue perto se você gosta de badalação. Mas o que faz valer à pena ir a esse lugar são as vilas de pescadores Poças e Siribinha. O lugar parece um paraíso e eu fiquei o tempo todo me perguntando, onde estavam os turistas. É fácil de imaginar porque eles não estavam lá. A estrada que dá acesso a esses dois vilarejos é de areia e na época de chuvas, o acesso é difícil sem um veículo com tração. 


A praia é deserta, provavelmente porque o mar é aberto e muito bravo. Nem surfista estava se arriscando....


Mas mesmo assim o lugar é lindo. O caminho te oferece coqueiros de um lado...
...e  brejos do outro...


...para onde a vaca vai de vez em quando. hahaha:-)

Nessa estrada, isso já é considerado engarrafamento.

Chegando à Poças paramos o carro pra pegar um barco até a boca da barra em Siribinha. Como eu já tinha dito, quem tiver um 4x4, pode ir pela praia também. A gente preferiu ir de barco.

Seu Peteca foi nosso "taxista", que nos levou de barco de Poças...

...por um caminho espetacular por esse rio passando por manguezais...


... até chegar no nosso destino em Siribinha.
...onde a gente pode sentar naquelas barraquinhas, tomar uma cervejinha, comer um espetacular peixe frito e passar o dia curtindo esse visual lindo  só pra gente.





Obrigada mãe natureza:-).

P.S. Quando cheguei em Salvador e relatei o quanto tinha amado o lugar, minha mãe me relembrou que eu já tinha estado ali quando pequena. Pelo visto parece que eu realmente já coloquei os meus pés em todos o vilarejos da Linha Verde.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Seguindo na Linha do paraíso

Ainda na maravilhosa Linha Verde, um pouco depois de Guarajuba, chegamos em Praia do Forte. Esse vilarejo já é um pouco mais chique e mais badalado, mas nem por isso a natureza deixa de dar show de beleza. Andando pela vila de Praia do Forte, dá pra perceber que o pequeno vilarejo já caiu no gosto do turista internacional. Lá já se encontram casas de câmbio e restaurantes com o cardápio traduzido pra o inglês e alemão. Quando estive lá dessa última vez, cheguei morrendo de fome e sem dinheiro em espécie e fiquei impressionada ao constatar que praticamente todos os estabelecimentos comerciais aceitam os mais diversos cartões de débito e crédito e que alguns deles aceitam o pagamento em dólar ou euro.

Como se Praia do Forte já não fosse um lugar lindo e acolhedor  demais, lá ainda abriga uma base do Projeto Tamar, responsável por ajudar a preservar tartarugas, golfinhos, tubarões, baleias e outras espécies de animais ameaçadas de extinção, no litoral do Brasil inteiro. Sendo ou não turista, vale à pena visitar. Só um aviso: vá com a conta bancária recheada. Apesar de ser um paraíso, ninguém está livre das tentações do consumo e lá tem um monte de lojinha legal mas os preços nem sempre são tão bacanas...




 

domingo, 19 de agosto de 2012

Linha Verde, Azul e Linda

Uma das melhores coisas de Salvador é poder sair dela de vez em quando. Ainda bem que não muito longe daqui tem um pequeno pedaço de paraíso, com praias maravilhosas, vilarejos pacatos e muita, mais muita paz mesmo. O nome desse paraíso é Linha Verde, o nome que a Bahia dá a sua rodovia BA009, que liga o município de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador à divisa Bahia -Sergipe. São várias vilas diferentes no caminho e cada uma mais linda que a outra. Uma das mais visitadas e que está na minha lista de favoritas dessa área é Guarajuba. Basta chegar por lá pra ter a sensação de que o tempo passa mais devagar, que todo mundo é mais tranquilo e que tudo parece um quadro de tão lindo. Vou chegando e já me sentindo em paz.
Praia de Guarajuba na Linha Verde.


sábado, 11 de agosto de 2012

Elevador Lacerda

Esse cartão postal de Salvador foi inaugurado em 1873 e é ainda hoje um importante meio de transporte entre a parte baixa e alta da cidade de Salvador. Por 15 centavos dá pra fazer o percusso que dura mais ou menos 20 segundos pra percorrer seus 72 metros de altura. Em 1896 o Elevador Hidráulico da Conceição da Praia, foi rebatizado com o nome que tem hoje, para homenagear seu construtor, o engenheiro Augusto Frederico de Lacerda.

A única coisa que não gosto muito no elevador Lacerda, é que por suas cabines não terem nenhuma parede de vidro, isso acaba sendo um grande desperdício de vista bonita. Isso sem contar que eu adoraria ver as paredes sendo usadas para exposições diversas. Ao invés disso, só admirando mesmo pelo lado de fora, porque por dentro o elevador Lacerda não oferece muito o que se ver.






sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Esta é minha cidade

Salvador é muito linda. Não me canso de dizer isso. Ando meio trisitinha por minha cidade porque ela anda descuidada. É uma pena que esta cidade exuberante e especial esteja entregue a criminalidade, ao lixo e ao desmando. Ao ver lugares assim, me dá um misto de orgulho e tristeza. Orgulho por poder dizer que esta é minha cidade e tristeza por... ai sei lá, vendo essa vista eu acho que até já esqueci porque às vezes me dá tristeza...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Obsessão

Tá, tudo bem... logo, logo eu mudo de assunto, mas é que foram tantas coisas bonitinhas que achei na igreja de São Franciso que eu faço questão de compartilhar algumas delas. Por exemplo, esse corredor enoooooorme, típico de construções coloniais.

 A igreja de São Francisco é toda banhada a ouro. Hoje em dia não é mais permitido fazer fotos com flash porque a ação deles estava oxidando a camada de ouro da sala principal.


Esse detalhe é o puxador de uma cômoda que encontrei em uma das salas superiores. Essa riqueza de detalhe esculpida nos móveis é muito lindo.




Olha o alemão que eu encontrei dentro da igreja! Esse órgão veio da cidade de Frankfurt e ainda funciona.



Essa é a sala dos santos. Mais beleza sombria, mas eu gostei especialmente de ter encontrado...


...um pouco de diversidade lá dentro. Não tenho a menor idéia de quem ele seja, mas me alegro de saber que esse brother aí conseguiu um lugar aí nessa sala pra representar todos nós os irmãos de cor
 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Beleza mórbida

Ainda passeando lá pela igreja de São Francisco, fiquei fascinada pela beleza, meio assustadora dos objetos de arte e dos ambientes que encontrei por lá. Sinceramente, acho que seria um verdadeiro pesadelo ter de passar uma noite sozinha lá dentro. Lindo e horrível ao mesmo tempo.

Ossuário da igreja. Beleza fria do mármore e da morte.

Sofrimento total
Observem o detalhe da caveira e do sangue caindo.




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Turista na própria casa

Com visitas em casa a gente acaba fazendo programas que jamais faria se não fosse por elas. Esses passeios turísticos em nossas próprias cidades nos dão a possibilidade de redescobrir belezas locais e de aprender mais de nossa própria história. Fazendo um desses passeios em Salvador, com direito a guia e tudo, pude de fato apreciar e entender a beleza da igreja da Ordem Terceira de São Francisco no Pelourinho. Recomendo a visita tanto para turistas quanto para Soteropolitanos. Só ir ver a igreja já vale à pena. Custa R$3,00 para entrar e você pode decidir se quer fazer a visita com ou sem guia. Se optar pelo guia, deve pagar a ele por fora. Eles cobram um preço fixo pelo grupo (R$ 20,00) e dão uma aula de história. 

Fachada da Igreja no melhor exemplo possível do estilo barroco.

Portão que achei lindíssimo.
Estátua bonitinha que encontrei lá dentro.



domingo, 29 de julho de 2012

Outro olhar

Adoro ter visita em casa.  E não só aquelas que dão uma passadinha, não. Eu também adoro as visitas vindas de outras cidades e que ficam dias. Eu nem chego a discordar com o dito popular que diz que visita é igual a peixe - depois de três dias começa a feder - mas é que mesmo os peixes que já passaram por minhas casas, seja aqui em Salvador ou em Bremen, sempre me ofereceram uma coisa que eu considero única e muito especial: um novo olhar sobre minhas velhas cidades.

Eu nasci em Salvador, vivi aqui ininterruptamente por 24 anos e só então fui conhecer um outro continente. Fui chegando e fazendo dele minha segunda casa. Nessa brincadeira, 10 anos se passaram e o Velho Continente acabou de fato virando jornal velho pra mim. Isso é de certa forma triste demais, já que um prêmio que se ganha quando se vai pra tão longe de casa é exatamente a oportunidade de se poder voltar a ver o mundo com um olhar curioso, inocente e questionador.  E é por isso que eu adoro minhas visitas. Elas enxergam o que eu não vejo mais, questionam coisas que nunca tinham passado pela minha cabeça e despertam o meu olhar pra coisas interessantes quando ele vai adormecendo. 

Porque eles não deixam que eu me acostume demais com as coisas, porque eles não deixam que nada seja normal demais por muito tempo e por sempre me oferecerem razões para rever coisas belas é que eu digo a quem quiser me visitar: sejam bem vindos sempre!


domingo, 13 de maio de 2012

Campeonato Baiano

Eu tenho um certo ritual quando escrevo aqui no blog. Abro minha página, vou lá nos blogs que eu acompanho e dou uma olhada no que meus amigos e blogueiros favoritos andaram postando durante a semana e depois parto pro meu texto. Dessa vez uma coisa interessante aconteceu. Ao ler o blog de minha querida amiga Paola, vi exatamente o que eu estava sentindo ali prontinho em forma de post, portanto transcrevo aqui o texto dela que me emocionou: 

Clássicos

Se há algo que sempre me emociona são os clássicos. E não falo dos filmes clássicos, falo dos jogos dos campeonatos estaduais. Sendo da Bahia, falo, com mais propriedade do clássico, Ba x Vi. Eu que não assisto aos jogos, que não torço por time algum, que sequer tenho idéia da chamada tabela, quem sobe e quem desce. Eu, que vejo tudo de fora, me emociono. A concentração dos torcedores que emudece a cidade, seguida do som ocasional de fogos de artifícios e, finalmente, a explosão, de gritos, buzinas, fogos, alegria. Ouvir uma rua inteira gritar goooolllll, ou ver os profissionais, como seguranças, manobristas, caixas de supermercados, enfim, todos aqueles que estão na rua, não tem Tv e não podem acompanhar o clássico, grudados no radinho, vibrando a cada lance e explodindo em uníssono num gol...é, no mínimo, efusiante. O que me emociona não é o jogo, é a energia que as pessoas colocam nele. É o amor, gritado, sem a menor vergonha, das janelas dos edifícios, é a declaração explícita de amor que me encanta. E são homens e mulheres que observam, emudecem, gritam, choram, vibram, juntos. É esse amor histérico que me faz as lágrimas escorrerem. É realmente como ver um filme clássico de romance, onde, no final, o difícil mesmo é conter as lágrimas.


Lindo né? Foi meio triste ver a cara de decepção de minha mainha no dia das mães, mas também, quem manda ela ser Rubro- Negra?

Valeu Baêa!!!! 

domingo, 8 de abril de 2012

O que é que a Bahia tem?


Será que alguém pode me esclarecer uma coisa? Qual o problema do Brasil com a Bahia? Peraí, não quero que esse texto dê a impressão errada, então deixa eu explicar como foi que eu cheguei até aqui. Nesses meus nove anos de Alemanha, conheci muito brasileiro, que assim como eu, resolveu ir experimentar a vida em terras Germânicas. Muitos desses compatriotas, foram verdadeiras bençãos em minha vida. Pessoas legais, sensíveis, bonitas de todas as formas que me ensinam muito sobre a vida e sobre o próprio Brasil.

Ao mesmo tempo já contei aqui no blog que também já tive muitos encontros estranhos com outros brasileiros. Eu classifico muitos desses encontros assim, porque infelizmente alguns conterrâneos não tem vergonha de se mostrar com toda sorte de preconceitos. Para piorar as coisas, muitos de nós brasileiros, tem mania de confundir bisbilhotice com simpatia e falta de se mancol com autenticidade. Por exemplo, tenho pavor a gente que fica insistindo quando a resposta da pergunta "Você tem filhos" é "não". "Porque não?" ,"Estão esperando o que?", Você tem de se ligar porque você já passou dos trinta" são as minhas favoritas da lista das bisbilhotices disfarçadas de simpatia. No quesito da falta de semacol nada é mais impressionante do que ouvir de uma carioca dizer, depois de me ouvir falando alemão, que "assim que você abriu a boca eu já sabia que você era baiana. O sotaque de vocês é tão forte que vocês falam um alemão todo arrastado". "Ah tá!" Pensei cá com meus botões, "então é assim que se formam os sotaques? Obrigada senhora estudante de economia pela aula de linguística." Na moral, se você não sabe uma coisa, é sempre melhor calar a boca. 

E eu aproveito e pergunto: só baiano tem sotaque ao falar uma língua estrangeira.? E se for assim, qual é o problema? O que faz as pessoas acreditarem que nosso sotaque é mais estranho do que o dos paulistas, goianos, mineiros, gaúchos ou catarinenses? Em nove anos de Alemanha, nunca ouvi nenhum falante nativo se incomodar com o sotaque de nenhum baiano por ser arrastado demais. Isso é realmente implicação de brasileiro com brasileiro.

Essa mania que o Brasil tem de pegar no pé de baiano tem me irritado bastante. Minha querida amiga Ângela, que já morou em vários cantos do Brasil, tem mil estórias pra contar de vários lugares onde morou, sobre essa implicância que o Brasil tem com a gente. Suas experiências com esse tipo de preconceito vão desde pessoas que fazem graça do seu sotaque até outras que acham que não há nada de errado em duvidar de sua capacidade profissional sem nunca ter realmente conhecido seu trabalho, só pelo fato de saber que ela é baiana.

Acho que estou muito incomodada com essa mania de brasileiro de esculhachar baiano porque sendo negra, nordestina, mulher e baiana acabo virando um prato cheio pros intolerantes e isso depois de um tempo fica chato pra caramba. De um em um os comentários preconceituosos vão enchendo o saco. E o meu já encheu a ponto de transbordar neste texto. Procuro não reclamar muito porque sei que minha situação ainda poderia ser pior: já imaginou se além de tudo isso eu ainda fosse lésbica, gorda, portadora de deficiência, idosa ou devota do candomblé? Aí é que tava ferrada mesmo...O mal é que tem gente por aí que jura que é legal, bacana, mente aberta, mas que vive falando coisas pouco críticas e o que é pior, estigmatizantes e limitadas.

Umas das coisas mais fantásticas do ser humano é a habilidade de filtrar nossos pensamentos antes deles virarem palavras. Sendo assim, porque não usar (bastante) esse dom? Muitas vezes guardar nosso comentários pra nós mesmos não é somente uma questão de educação e respeito ao próximo como também uma questão do mais puro bom senso. Estou cansada de gente achando tudo o que eu digo engraçado só por causa de meu sotaque. Gostaria muito de poder contar uma estória pra um grupo de brasileiros e saber que eles estão de fato ovindo o que eu estou dizendo e não anotando mentalmente cada som que eu produzo diferente e cada expressão que eles não conhecem pra ridicularizar depois. Queria ter o direito de dizer que estou cansada, porque sim, trabalho duro pra caramba, assim como todos na minha família e meus amigos ao meu redor, sem ter de ouvir alguma referência infame à preguiça, rede e água de coco.

Nós baianos temos muitos defeitos. Horríveis, irritantes, que dá vontade de bater em um ou sair gritando de raiva muitas vezes. Mas quer saber de uma? TODOS os brasileiros os tem e nem os que nos estigmatizam escapam dessa. Na moral viu, sem querer tirar onda, mas já tirando: O que muitos brasileiros percebem como abestalhação eu vejo como leveza, ondes eles enxergam falta de seriedade, eu enxergo bom humor e simplicidade e onde eles ouvem uma entonação esquisita eu ouço música. Agora durmam com um barulho desses!